Facção criminosa usava influenciadores digitais para vender “raspadinhas” ilegais em mais de 20 cidades de Mato Grosso
Um esquema de jogos de azar controlado por uma facção criminosa, que movimentava milhares de reais com a venda de “raspadinhas” ilegais em mais de 20 municípios de Mato Grosso, foi desarticulado pela Polícia Civil durante a Operação Raspadinha do Crime, deflagrada na última terça-feira, 14 de outubro.
De acordo com as investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), o grupo usava influenciadores digitais, inclusive menores de idade, para divulgar as raspadinhas nas redes sociais e atrair compradores.
Mais de 80% dos lucros arrecadados eram destinados ao financiamento das atividades da facção, enquanto o restante era dividido entre os responsáveis pela distribuição e os comerciantes que revendiam o produto.
O esquema funcionava por meio de núcleos regionais, chamados de “quebradas”, comandados por integrantes conhecidos como “irmãos da facção”. Esses membros distribuíam as raspadinhas aos comércios, recolhiam o dinheiro, faziam o controle contábil e repassavam os valores a contas “laranjas”. Em caso de descumprimento das regras, comerciantes eram intimidados ou punidos pela ‘disciplina’ da facção.
A operação revelou que o jogo era promovido nas redes sociais com o nome de “Raspa Brasil”, cuja primeira publicação ocorreu em março de 2025. Vídeos e postagens apresentavam os sorteios como promoções legítimas, com prêmios supostamente de até R$ 50 mil, embora as investigações não tenham identificado nenhum pagamento superior a R$ 100.
As raspadinhas eram vendidas por R$ 5 e enviadas por transportadoras comuns, com notas de carga falsas para mascarar o conteúdo dos pacotes. O resgate dos prêmios ocorria via QR Code, que direcionava os ganhadores a um número de WhatsApp administrado pelos criminosos.
A Polícia Civil apreendeu materiais de divulgação, bilhetes, comprovantes de transferência e documentos falsificados usados para movimentar o dinheiro do esquema. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, incluindo os influenciadores que colaboraram com a divulgação da atividade criminosa.





