CEOs brasileiros iniciam onda de reinvenção novos negócios como foco
Nova edição da Global CEO Survey, realizada pela PwC, ouviu mais de 4.400 CEOs em 95 países
A era da reinvenção ganhou tração alavancada pela inteligência artificial (IA), apesar das incertezas do cenário econômico e político global. É o que aponta a 29ª Global CEO Survey, levantamento anual da PwC que ouviu mais de 4.400 líderes de empresas em 95 países, incluindo o Brasil. O estudo revela que os CEOs estão concentrados em oportunidades para reinventar suas organizações e impulsionar o crescimento sustentável com uso da tecnologia. Para driblar a estagnação e os riscos dos negócios tradicionais, as empresas brasileiras estão se movimentando. Mais da metade dos CEOs locais (51%, acima da média global de 42%) afirma que suas companhias passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos. O estudo confirma que essa ousadia compensa: empresas que diversificam suas fontes de receita tendem a apresentar margens de lucro mais altas.
“Liderar em um ambiente tão complexo exige a capacidade de transitar rapidamente entre os desafios do presente e antecipar as necessidades futuras”, analisa Marco Castro, CEO da PwC Brasil. “A questão central para os CEOs hoje é encontrar formas de transcender as demandas imediatas. Enquanto nossos dados mostram que os líderes brasileiros dedicam 57% do tempo a essas questões, apenas 11% estão preocupados com temas para além do horizonte de cinco anos. A reinvenção exige um olhar atento que permita atuar de forma ambidestra “, completa. No mundo, o desequilíbrio também é acentuado, mas menor: 47% no curto prazo e 16% no longo.
Os líderes do Brasil (38%) e do mundo (30%) também estão menos confiantes quanto às perspectivas de crescimento de receita de suas empresas nos próximos 12 meses. Ainda assim, as companhias continuam apostando alto na tecnologia. A preocupação central hoje é se a transformação dos seus negócios ocorre no ritmo necessário para acompanhar o avanço da IA. A pesquisa reforça nossa crença de que a era da IA está apenas no início, mas a cobrança por resultados já existe. Embora o Brasil se destaque no uso da tecnologia para geração de demanda e serviços de suporte, a maioria das empresas ainda trabalha para traduzir a sua adoção em valor financeiro. A maioria dos CEOs afirma que suas empresas percebem um retorno tímido dos investimentos em IA. Embora mais de um terço no Brasil (37%, em comparação com 29% no mundo) relate aumento de receita nos últimos 12 meses e mais de um quarto (28%, em contraste com 26% globalmente) indique redução de custos, mais da metade (56%) diz não ter obtido nenhum benefício – nem em receita, nem em custos.
Os dados para o Brasil mostram que mais de um quarto dos líderes utilizam amplamente a tecnologia em funções como geração de demanda (28%), serviços de suporte (28%), produtos e serviços (29%), definição de direcionamento estratégico (28%) e atendimento à demanda (20%). “Nossa experiência e os dados da pesquisa mostram algo claro: projetos de IA isolados e táticos raramente geram valor que pode ser medido. Os resultados aparecem quando a tecnologia é adotada de forma abrangente e conectada à estratégia da empresa. As organizações que estão na vanguarda, conseguindo aumentar receitas e reduzir custos simultaneamente, são aquelas que investiram em fundamentos sólidos, como governança de dados e cultura organizacional”, afirma Castro.
A tecnologia também está redefinindo o mercado de trabalho. Para 60% dos CEOs no Brasil, as empresas precisarão de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos devido à automação e eficiência geradas pela IA. Esse percentual é superior à média global (49%), indicando uma mudança estrutural na porta de entrada do mercado de trabalho corporativo nacional.
No Brasil, 49% dos CEOs planejam investimentos internacionais. O peso dos Estados Unidos como principal mercado para as empresas brasileiras no exterior aumentou de forma contundente, passando de 36% para 55% na lista de destinos mais relevantes para o crescimento nos próximos 12 meses. A China também recuperou espaço, passando de 10% para 18%, enquanto a Índia despontou com força, mais do que dobrando sua participação, de 6% para 13%. Os dados revelam também uma redistribuição das prioridades na América Latina, na qual México e Argentina perderam relevância, enquanto o Chile avançou e ultrapassou a Colômbia. Isso indica um deslocamento do interesse empresarial para mercados percebidos como mais promissores ou estáveis na região.
Entre os respondentes, 15% admitem estar menos propensos a realizar grandes investimentos devido às incertezas geopolíticas e econômicas. Essa hesitação, em nossa experiência, pode comprometer o futuro dos negócios dessas empresas. “As empresas que ficam ‘congeladas’ pela incerteza geopolítica ou econômica estão crescendo mais devagar e deixam de se posicionar estrategicamente. Assumir um papel ativo na reconfiguração setorial gera retornos concretos: quem ousa olhar para fora de seu setor tradicional está encontrando as melhores oportunidades de crescimento”, pontua o CEO da PwC Brasil. A relevância do Brasil na pauta de investimento dos CEOs globais dobrou nos últimos dois anos, saltando de 3% para 6% entre 2024 e 2026. Na variação anual, essa propensão a investir no país nos próximos 12 meses subiu dois pontos percentuais.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil






