O Brasil e a China na exploração espacial
O gigante asiático começará a formar especialistas em uma profissão impensável até agora
Aprender a respeito de propulsão interestelar, comunicação e navegação em espaços profundos e ciências espaciais em um único curso universitário, já é possível na China, a partir deste mês de fevereiro. Com o modesto objetivo de “formar profissionais interdisciplinares/mais talentos de destaque no campo aeroespacial” que – admitem – tornaram-se “urgentemente necessários”, a partir dos sucessivos avanços da China no setor espacial nos últimos cinco anos, a nova instituição de ensino da Universidade da Academia Chinesa de Ciências (UCAS) terá como reitor o professor Zhu Junqiang, e passa a integrar o conjunto formado também pelo Centro Nacional de Ciências Espaciais da Academia Chinesa de Ciências (CAS). Com a faculdade de exploração espacial, a UCAS visa “promover o desenvolvimento integrado da educação, ciência, tecnologia e talento, além de atender à grave escassez de profissionais especializados”. Pretendem também se tornar “base fundamental para pesquisas aeroespaciais fundamentais para apoiar grandes projetos nacionais, polo para o desenvolvimento de talentos de alto nível (…)”, e “um centro de intercâmbio acadêmico internacional para compartilhar a expertise da China por meio de conquistas sólidas.”
Significa que, a partir de 2030, a China começará a formar especialistas em “exploração espacial” – profissão impensável até agora. Até lá, é possível que já tenha colocado estações para seres humanos viverem na Lua, em Marte ou em algum outro planeta, e desenvolvido o projeto de geração de energia a partir do espaço.
Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial
Boas novidades para o Brasil também, em mais um intercâmbio com a China no campo espacial – o primeiro, de 1988, é o Cbers, ainda em vigor, através do qual os satélites produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) são colocados em órbita por foguetes chineses. Agora, os dois países começaram a construir o Laboratório Conjunto China-Brasil de Tecnologia de Radioastronomia, iniciativa conjunta do Instituto de Pesquisa de Comunicações de Rede da CETC (empresa estatal chinesa de eletrônicos de defesa), Universidade Federal de Campina Grande e a Universidade Federal da Paraíba, com os objetivos de apoiar a pesquisa de fronteira para observação astronômica e exploração do espaço profundo.
Esse laboratório coincide com progressos do Brasil e da China no radiotelescópio Bingo, projetado para ajudar a estudar a estrutura do universo e a energia escura, rastrear satélites, meteoroides e outros corpos pequenos, ajudando a identificar possíveis ameaças à Terra. Anunciado como o maior radiotelescópio da América do Sul, “Bingo” está programado para ser concluído neste ano.
Udesc, DUT & Cosats
Sérgio Pezzin, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) assinou acordos, em setembro do ano passado, com a Universidade de Tecnologia de Dalian (DUT), cidade portuária da província de Liaoning, na região nordeste da China, para intercâmbios nas áreas de engenharia e ciência espacial, e com a Cosats, empresa especializada na fabricação de micro e nanossatélites, de Jiaxing, província de Zhejiang. Os intercâmbios deverão proporcionar a professores(as) e estudantes, de cursos da Udesc e de escolas de ensino médio da rede pública de Santa Catarina, a participação em projetos de desenvolvimento de nanossatélites, com mentoria de especialistas chineses.
Tomara que o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Agência Espacial Brasileira (AEB), e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Santa Catarina (Secti) aportem os recursos necessários para viabilizar esses intercâmbios com a China, para evitar que se repita o já tradicional “morrer na casca” nos muitos acordos educacionais firmados entre os dois países.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil






