“Banana do agro”: brincadeira na lama vira fenômeno nas redes e emociona família em MT
Uma brincadeira simples, feita para guardar na memória, acabou conquistando milhões de pessoas nas redes sociais. A produtora rural Talita Salmazo e o marido improvisaram uma “banana do agro” com pneus velhos amarrados por uma corda e puxados por um carro na estrada de uma lavoura, em Nova Mutum.
A diversão, registrada em vídeo e publicada em janeiro deste ano, ultrapassou 23 milhões de visualizações. Segundo Talita, a repercussão foi inesperada.
“A ideia não era viralizar, era criar memórias e guardar. Gosto de filmar esses momentos para valorizar as brincadeiras ‘raízes’ e também o agro”, contou.
A inspiração surgiu após Talita assistir a outro vídeo viral, no qual a brincadeira era feita com tambores. O casal, no entanto, optou pelos pneus velhos, por considerar que seriam mais seguros para as crianças.
A estrutura improvisada comporta até cinco pneus e reúne até sete crianças por vez. Para evitar discussões sobre quem vai na frente, a produtora organiza sorteios antes de cada rodada.
O sucesso é tanto que os pequenos já consideram o passeio “o melhor dia da vida” e perguntam quando será a próxima aventura.
“Eu falo que até quando eles tiverem filhos e netos vão contar essa história da fazenda”, disse Talita.
E não são apenas as crianças que participam. As imagens mostram que os adultos também entram na brincadeira.
“Queremos incentivar as crianças a não ficarem só nas telas. A infância passa rápido. Precisamos valorizar esses momentos”, afirmou.
Para Talita, a iniciativa também carrega um significado maior: mostrar que o campo não é apenas trabalho pesado, mas também família, convivência e construção de histórias.
“O agro não é só produção. É família, é memória, é incentivo para que nossos filhos tenham orgulho do que fazemos”, destacou.
Enquanto o vídeo diverte milhões, a realidade na lavoura impõe desafios. O excesso de chuvas na região tem impactado a colheita da soja na safra 2025/2026.
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), cerca de 65,75% da soja já foi colhida no estado até o momento. O atraso pode gerar prejuízos financeiros e reflexos em toda a cadeia produtiva.
Talita relata que, em uma das propriedades da família, localizada em Nobres, a colheita ainda não foi concluída devido às chuvas constantes.
“Estamos pedindo para Deus mandar o sol. As estradas ficam prejudicadas com a chuva e a produção precisa chegar ao armazém”, explicou.
Além do campo, os impactos também são sentidos na logística, com longas filas de caminhões no Porto de Miritituba (PA), principal rota de escoamento da produção mato-grossense.





