Estruturas com lixo nuclear apresentam falhas há quase uma década, aponta MPF
Relatórios técnicos obtidos pela CNN apontam que, desde 2016, órgãos federais alertam para problemas estruturais em depósitos de rejeitos radioativos do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Mesmo após a abertura de inquérito civil pelo Ministério Público Federal (MPF), 103 metros cúbicos de material seguem armazenados nas mesmas instalações, interditadas desde 2019 por falhas estruturais.

Os documentos indicam degradação das edificações, com trincas, infiltrações, movimentação do solo, armaduras expostas e falhas de manutenção. Os depósitos, operados pelo IEN e vinculados à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), armazenam rejeitos de baixo e médio nível oriundos de atividades médicas, industriais e de pesquisa.
O MPF apura possíveis riscos ambientais e cobra providências, destacando que as estruturas já apresentavam sinais claros de instabilidade há quase uma década. Embora laudos não indiquem risco iminente de colapso, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) alerta que a degradação pode comprometer o confinamento do material em cenários adversos.

A solução prevista é a transferência temporária dos rejeitos para o chamado “Galpão L”, que passa por obras de adaptação. No entanto, a movimentação do material ainda depende de autorização regulatória, pois envolve riscos radiológicos adicionais.
Em nota, Cnen e IEN afirmam que as obras estão em execução, com previsão de conclusão em maio de 2026, e sustentam que os rejeitos estão devidamente acondicionados e monitorados, sem indicação de risco estrutural iminente. Já o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) declarou que não há instabilidade predial, citando relatórios anteriores.

A ANSN, por sua vez, reforça que, caso não sejam realizadas intervenções adequadas, pode haver comprometimento gradual da segurança estrutural, com possíveis impactos ambientais e riscos ocupacionais. O caso ocorre em meio ao debate nacional sobre a retomada da usina de Angra 3 e reacende discussões sobre a segurança do programa nuclear brasileiro.





