Operação Safra Desviada: Justiça bloqueia até R$ 53,6 milhões por investigado e amplia cerco contra grupo suspeito de rombo milionário no agro
A Justiça de Mato Grosso ampliou as medidas cautelares da Operação Safra Desviada e determinou o bloqueio de contas bancárias de 32 pessoas físicas e jurídicas investigadas por um suposto esquema de desvio de grãos que teria causado prejuízo estimado em R$ 140 milhões ao Grupo Lermen e a outras empresas do agronegócio.
A decisão foi proferida pela juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, do Núcleo de Justiça do Juiz das Garantias de Sinop, atendendo a pedido do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), órgão vinculado ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
Contas bloqueadas e novos mandados
Além da ampliação dos mandados de busca e apreensão — domiciliar, pessoal e veicular —, a magistrada autorizou o bloqueio de valores que variam de R$ 463 mil a R$ 53,6 milhões, conforme o grau de envolvimento atribuído a cada investigado.
O pedido complementar apresentado pelo Gaeco incluiu:
- novos endereços para cumprimento de mandados;
- estimativas detalhadas dos valores a serem bloqueados;
- Inclusão de outros investigados no processo.
Segundo os promotores, a ampliação das medidas tem como base relatórios internos do Grupo Lermen, Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf, além de documentos bancários, fiscais, e-mails e mensagens de WhatsApp.
As investigações apontam incompatibilidade entre a renda declarada e a movimentação financeira dos suspeitos, além do uso de empresas de fachada e “laranjas” para ocultação patrimonial.
Suposto esquema envolvia apostas e exclusão de dados
Na decisão, a juíza destacou que os novos elementos trouxeram uma quantificação mais precisa dos valores desviados e a identificação de locais supostamente utilizados para esconder bens.
Trecho da decisão menciona que a complexidade do esquema envolveria:
- manipulação de contratos e notas fiscais;
- transporte de milho sem documentação fiscal;
- uso de plataformas de apostas para dificultar o rastreamento financeiro;
- exclusão de dados de notebooks corporativos;
- mudanças repentinas de endereço.
Para a magistrada, os indícios revelam risco concreto de ocultação de patrimônio e tentativa de frustrar as investigações.
Também foi autorizada a quebra de sigilo de dados e o acesso a dispositivos eletrônicos, inclusive conteúdos armazenados em nuvem, para rastrear o fluxo financeiro e identificar possíveis beneficiários finais.
Principal alvo teria movimentado mais de R$ 53 milhões
Entre os principais investigados está Joherberton da Silva Rondon, conhecido como “Beto”, apontado como sócio-administrador de empresas ligadas ao esquema. Segundo o Gaeco, os valores atribuídos a ele somam R$ 53,6 milhões, envolvendo royalties desviados, transporte irregular de grãos, aquisição de imóvel e transferências para outras empresas.
Veja os valores bloqueados de cada investigado:
Joherberton da Silva Rondon – R$ 53.617.409,87
Suelene Aparecida do Carmo Nascimento – R$ 53.617.409,87
B.R. Assessoria Administrativa Ltda. – R$ 53.617.409,87
BR Participações Ltda. – R$53.617.409,87
Ellus Sorriso – R$ 1 milhão
Baru Parrilla e Cozinha Ltda. – R$ 1 milhão
Harmonize Presentes Afetivos – R$ 500 mil
Maria Eduarda Mello – R$ 500 mil
Felipe Faccio – R$ 28.534.296,98
Michele Faccio – R$ 28.534.296,98
Renan da Silva Rondon – R$ 5 milhões
Lucas Modesto Riboldi – R$ 5 milhões
Joseandro Gomides da Cruz Lima – R$ 24 milhões
Sabrina Castilho Claro – R$ 24 milhões
Union Comercial e Transporte – R$ 24 milhões
Union Comercial e Representação Ltda. – R$ 24 milhões
Sabrina Castilho Claro (CNPJ) – R$ 24 milhões
W.E. da Silva Transportadora – R$ 24 milhões
Renato Antonio Duarte – R$ 24 milhões
Algodoeira Lucas Cotton – R$ 24 milhões
Safra Cotton Ltda. – R$ 24 milhões
Sorriso Industrial Têxtil – R$ 24 milhões
Eduardo Faustino Pereira – R$ 24 milhões
Claudia Angelica Martins Makari – R$ 24 milhões
Nadim Makari – R$ 24 milhões
Fibra Cotton Investimentos e Participações Ltda. – R$ 24 milhões
Joseandro Gomides da Cruz Lima MEI – R$ 24 milhões
Dom Rufino Vinhos e Especiarias Ltda. – R$ 24 milhões
Ana Paula Braga – R$ 463.341,53
Fabiano Alipi da Silva – R$ 8,8 milhões
Monara Cervi – R$ 8,8 milhões
Joevan Silva Dias – R$ 8,8 milhões
A Justiça entendeu que há robustos indícios de materialidade e autoria, além de risco à recuperação dos ativos, o que justifica a ampliação das medidas cautelares.
A Operação Safra Desviada segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.






