Operação Speakeasy cumpre 100 ordens contra grupo que lavou R$ 200 milhões em MT
As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Pontes e Lacerda (MT), além de Goiânia (GO) e Barueri (SP). Ao todo, foram expedidos 12 mandados de prisão preventiva, 12 de busca e apreensão, 35 sequestros de veículos, 12 suspensões de pessoas jurídicas e 29 bloqueios de contas bancárias. As medidas foram autorizadas pelo Juízo das Garantias da Comarca de Cuiabá.
As investigações foram conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com origem em apuração iniciada pela Delegacia de Campo Verde, em 2024. O ponto de partida foi a localização de um veículo registrado em nome de uma empresa de Várzea Grande, que estava em posse de um líder de facção criminosa, revelando a ligação direta entre o grupo empresarial e a organização criminosa.

A partir dessa conexão, os policiais identificaram que os investigados atuavam diretamente na lavagem de dinheiro sob ordens de lideranças da facção, inclusive presos ou foragidos da Justiça. Os envolvidos mantinham elevado padrão de vida, com aquisição de veículos e imóveis de alto valor, sem possuir renda formal ou atividade econômica lícita compatível com o patrimônio.
Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas de fachada, principalmente nos ramos de distribuição de bebidas alcoólicas, comércio de joias e de equipamentos eletrônicos, com atuação em Cuiabá, Várzea Grande e Goiânia. A movimentação financeira identificada ultrapassa R$ 200 milhões, no período entre janeiro de 2021 e 2025.
Durante a operação, foram apreendidos veículos de luxo, joias, aparelhos celulares e notebooks. Os materiais e os alvos das prisões foram encaminhados às unidades policiais para os procedimentos legais cabíveis.
A ação contou com apoio da Delegacia Regional de Pontes e Lacerda, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, além das unidades da Draco de Sinop, Goiânia e Campo Grande, evidenciando a integração entre forças de segurança de diferentes estados.
Nome da operação
O nome “Speakeasy” faz referência aos bares clandestinos que operavam durante a Lei Seca nos Estados Unidos, na década de 1930. Esses locais eram conhecidos por funcionar de forma oculta — característica que remete à dinâmica do esquema investigado, que utilizava empresas para dissimular a origem ilícita dos recursos.
Na operação, a principal estratégia de lavagem de dinheiro identificada foi a criação e utilização de empresas ligadas à distribuição de bebidas alcoólicas.
Renorcrim
A operação também integra as ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), que reúne delegados e promotores de Justiça dos 26 estados e do Distrito Federal.
A rede é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com foco na construção de estratégias integradas e permanentes de combate ao crime organizado.




