“Coroa Quebrada”: Polícia desmonta facção liderada por mulher que comandava execuções de dentro da prisão
A Polícia Civil de Mato Grosso realizou, na manhã desta terça-feira, 7 de abril, a Operação Coroa Quebrada, com o objetivo de enfraquecer uma facção criminosa atuante em Cáceres e região. Ao todo, foram cumpridas 21 ordens judiciais contra integrantes do grupo, investigado por crimes como tráfico de drogas, homicídios e associação criminosa, além de envolvimento em disputas violentas por território com uma organização rival.
Entre as medidas autorizadas pela Justiça estão quatro mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, após parecer favorável do Ministério Público.
A ação ocorreu simultaneamente em diferentes cidades do estado, incluindo Cáceres, Cuiabá, Rondonópolis e Nova Mutum. Um dos principais alvos é uma mulher apontada como líder da facção na região. Mesmo presa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, na capital, ela continuava exercendo forte influência sobre o grupo criminoso.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cáceres, com apoio da Denarc de Cuiabá, revelaram uma estrutura bem organizada, com divisão clara de funções entre os membros e participação de pelo menos 28 pessoas.
Segundo apurado, a líder — conhecida pelo apelido de “Princesa” — era responsável por ordenar execuções, aplicar punições internas e coordenar o envio de armas. Mesmo atrás das grades, ela mantinha comunicação ativa com outros integrantes e continuava gerenciando atividades ilícitas, especialmente o tráfico de drogas.
O grupo contava ainda com funções específicas, como fornecimento de armamentos, execução de homicídios sob ordens diretas, logística de drogas e até roubos de veículos usados em benefício da facção.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, a organização demonstrava alto nível de periculosidade e sofisticação, utilizando aplicativos de mensagens para planejar crimes e coordenar ações violentas.
O nome da operação faz alusão direta à líder do grupo. Conhecida como “Princesa”, ela teve sua “coroa quebrada” com a ofensiva policial, simbolizando a desarticulação de sua liderança.

A ação faz parte de uma estratégia mais ampla da Polícia Civil dentro da Operação Pharus, inserida no programa Tolerância Zero, que visa combater facções criminosas em todo o estado. A iniciativa também integra a atuação da Renorcrim, rede nacional que reúne forças de segurança de todo o país para enfrentar o crime organizado de forma coordenada.



