ALERTA VERMELHO: Milhares de mortes maternas poderiam ser evitadas com medidas simples
Um levantamento preocupante baseado em dados do Ministério da Saúde acendeu um sinal de alerta sobre a saúde pública. Entre 2021 e 2025, o estado de Mato Grosso registrou 7.282 mortes maternas, revelando uma realidade dura: a grande maioria desses óbitos era evitável.
Embora o pico de registros tenha ocorrido em 2021 (2.019 mortes), impulsionado pela pandemia, os anos seguintes mantiveram patamares elevados, com média superior a 1.300 casos anuais. No cenário nacional, o Brasil ultrapassou a marca de 375 mil mortes no período, com estados como São Paulo e Rio de Janeiro no topo da lista.
O estudo, realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), destaca que a mortalidade não atinge a todas da mesma forma. Mulheres negras e indígenas são as principais vítimas, evidenciando um abismo social:
- Negras: 598 mortes (aprox. 8%)
- Indígenas: 179 mortes (2,5%)
“Não é uma vulnerabilidade individual, mas produzida socialmente”, explica a professora Ana Paula Muraro, da UFMT. Segundo ela, fatores como racismo, falta de transporte, baixa renda e falhas no atendimento são determinantes para esse cenário.
Os pesquisadores identificaram quatro pilares críticos que agravam a situação em solo mato-grossense:
- Pré-natal inadequado: falta de consultas e exames essenciais.
- Hospitais precários: estrutura insuficiente para atender emergências.
- Erros médicos: falhas diretas no atendimento à gestante.
- Desigualdade regional: dificuldade de acesso em cidades do interior.
Para reverter esse quadro, o estudo sugere medidas urgentes, como a garantia de transporte entre municípios, educação sexual para planejamento familiar e assistência social para mulheres em situação de risco.
Atualmente, o Governo de Mato Grosso mantém o Grupo Técnico Estadual de Vigilância do Óbito, que busca identificar os fatores de risco e propor melhorias na assistência para que a maternidade deixe de ser um risco e volte a ser apenas um momento de vida.



