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IPS Brasil 2026 revela ranking de qualidade de vida e escancara desigualdades entre municípios

IPS Brasil 2026 revela ranking de qualidade de vida e escancara desigualdades entre municípios
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O Brasil ganhou um novo e detalhado mapa da sua realidade social e ambiental. Foi divulgado nesta quarta-feira, 20 de maio, o IPS Brasil 2026 (Índice de Progresso Social), um estudo que analisa os 5.570 municípios brasileiros para medir, na prática, a qualidade de vida entregue aos cidadãos.

Diferente de rankings tradicionais que avaliam apenas o Produto Interno Bruto (PIB) ou o volume de investimentos financeiros, o IPS foca exclusivamente em resultados estruturados em três grandes pilares: Necessidades Humanas BásicasFundamentos do Bem-estar e Oportunidades.

A média nacional registrada em 2026 ficou em 63,40 pontos (em uma escala de 0 a 100). Embora o país tenha apresentado uma evolução sutil em relação ao ano passado, os dados expõem abismos persistentes entre as diferentes regiões do país.

O Topo e a Base do Ranking Nacional e Estadual.

Pelo terceiro ano consecutivo, o pequeno município de Gavião Peixoto (SP) conquistou o título de melhor qualidade de vida do Brasil, alcançando a nota 73,10. A liderança reflete uma forte predominância do interior do estado de São Paulo e da região Sul nos 20 melhores resultados do país, com destaque para cidades como Jundiaí (SP), Osvaldo Cruz (SP) e Maringá (PR).

Na outra ponta, o pior desempenho geral ficou com Uiramutã (RR), acompanhado por uma concentração de notas baixas na região Norte, especialmente no estado do Pará. Na análise por estados, o Distrito Federal ficou na primeira posição, seguido por São Paulo e Santa Catarina. As últimas posições da tabela estadual foram ocupadas por Acre (25º), Maranhão (26º) e Pará (27º).

Curitiba lidera e Porto Velho amarga a lanterna entre as capitais.

O topo do ranking das capitais trouxe Curitiba (PR) na liderança isolada com 71,29 pontos, seguida de perto por Brasília (DF), com 70,73, e São Paulo (SP), com 70,64.

Em contrapartida, os grandes centros da região Norte e Nordeste registraram as menores pontuações, evidenciando uma variação de mais de 12 pontos entre os extremos. Macapá (AP) obteve 59,65 pontos e Porto Velho (RO) fechou a lista das capitais na última colocação, com 58,59 pontos.

O Desempenho de Guarantã do Norte (MT) no Cenário Nacional.

Localizado no norte de Mato Grosso, o município de Guarantã do Norte registrou uma pontuação geral de 58,10 no IPS Brasil 2026. O índice coloca a cidade abaixo da média nacional (63,40) e revela um cenário de contrastes internos, onde o avanço na infraestrutura habitacional contrasta com gargalos severos no pilar de direitos e inclusão social.

Abaixo, veja o detalhamento das notas do município em cada uma das dimensões avaliadas pelo índice:

1. Necessidades Humanas Básicas: 71,54 pontos.

Este foi o pilar com melhor avaliação em Guarantã do Norte, impulsionado principalmente pelo componente de Moradia (93,86 pontos), que aponta excelente cobertura de energia elétrica e qualidade das paredes e pisos nos domicílios.

Por outro lado, a Segurança Pessoal (46,32 pontos) acendeu o sinal de alerta devido aos indicadores relacionados a homicídios e mortes por acidentes de transporte. Na área de Água e Saneamento (68,79 pontos), a coleta de resíduos pontuou bem, mas o índice de perdas de água na rede de distribuição segurou a nota do município.

2. Fundamentos do Bem-estar: 61,94 pontos.

Nesta dimensão, o município se destacou positivamente no Acesso à Informação e Comunicação (74,23 pontos), refletindo a expansão da telefonia móvel e da cobertura de internet banda larga fixa.

O principal ponto crítico ficou por conta da Qualidade do Meio Ambiente (42,52 pontos), impactado negativamente pelas emissões de gases de efeito estufa por habitante e pela supressão de vegetação nativa, característica comum em regiões de forte expansão agropecuária na Amazônia Legal. A área de Saúde e Bem-estar registrou 56,97 pontos, influenciada por índices locais de doenças crônicas.

3. Oportunidades: 40,83 pontos.

Seguindo uma tendência de vulnerabilidade identificada em grande parte dos municípios de médio e pequeno porte do país, a dimensão de Oportunidades foi a pior nota de Guarantã do Norte.

O componente de Direitos Individuais despencou para 19,24 pontos, puxado pelas baixas taxas de atendimento à demanda de justiça e lentidão em respostas de processos previdenciários e familiares. A Inclusão Social fixou-se em 47,57 pontos, penalizada pela falta de paridade de gênero e raça na Câmara Municipal e subnotificação de políticas para minorias. Já o Acesso à Educação Superior fechou com 31,60 pontos, refletindo o baixo número de empregados com formação universitária e a nota mediana local no Enem.

Inclusão Social é o Gargalo Geral da Nação.

De acordo com Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil, o recuo nos índices de Inclusão Social e Direitos Individuais não é uma exclusividade do interior. Mesmo as capitais mais ricas do país enfrentam sérias dificuldades para combater a violência contra minorias, dar assistência à população em situação de rua e garantir a representatividade política de mulheres e negros no legislativo.

No cenário macro, o país avança de forma consistente no acesso à tecnologia e habitação, mas patina na garantia de igualdade de oportunidades e direitos fundamentais para as populações que vivem distantes dos grandes eixos econômicos.

Redação O Portal 163