Sul retoma vice-liderança do consumo no país
Classe C é o destaque do potencial de consumo, segundo pesquisa elaborada pelo IPC Maps
Para Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, 2026 será um ano atípico e desafiador para a economia brasileira, já que “as recentes guerras ao redor do globo estão impactando diretamente o bolso dos brasileiros, em função da possibilidade de aceleração inflacionária”, além de abrigar, ainda, muitos feriados em dias úteis, Copa do Mundo e eleições estaduais e federal.
Nesse contexto, o destaque desta edição do IPC Maps vai para a classe C que, além de liderar tradicionalmente a quantidade de domicílios, passa agora a ter mais renda assumindo, pela primeira vez, o topo do potencial de consumo nacional. Segundo Pazzini, tal feito deve-se à ocorrência de “migrações entre os estratos sociais, tanto das classes D e E para a C (positiva), quanto da B em direção a classe C (negativa).” Desse modo, a projeção é que a camada C responda, sozinha, por cerca de 36,9% de tudo o que será desembolsado neste ano em território nacional”, conjectura.
Os estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul estão entre os que possuem maior potencial de consumo a nível nacional, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No ranking das regiões, o destaque é a recuperação sulista que, mesmo com uma pequena queda de 18,51% para 18,48% em sua representatividade, volta a ocupar o segundo lugar, perdendo apenas para o Sudeste, com 49% do consumo nacional. Na terceira posição, está o Nordeste com sua fatia reduzida para 17,5%. Para Pazzini, essa baixa na participação de consumo pode ser explicada pelo “endividamento da população, o que acaba afetando o fluxo de turistas nacionais na região”. Na sequência, está o Centro-Oeste, com 9,1% e, por último, a Região Norte, cuja presença se mantém inferior a 6%.
Classe C na liderança da base consumidora
Com mais dinheiro no bolso, como já mencionado, a classe C, presente em quase metade (49,7%) das residências, representa quase R$ 2,6 trilhões (36,9%) dos gastos nacionais, liderando de forma inédita o panorama econômico. Em queda, está a classe B, ocupando 20% dos domicílios e assumindo 36,3% (quase R$ 3 trilhões) das despesas; seguida pelo grupo D/E, que abrange 27% das moradias, com uma circulação de cerca de R$ 737,9 bilhões (9,4%); e enfim, a classe A que, embora caracterize apenas 3,3% das famílias, vem ampliando sua participação e desembolsará quase R$ 1,2 trilhão (17,5%) até o fim do ano. Ainda sobre progressão, o estudo também antecipa que a participação das 27 capitais subirá de 27,7% para 28% no mercado consumidor, assim como as regiões metropolitanas que, de 44,6% ampliarão sua fatia para 45,2%. Em contrapartida, o interior perderá a representatividade de 55,4% para 54,8% nesse contexto.
Emprego formal em ascensão
Com o incremento de quase 11% no perfil empresarial, o emprego formal também segue em ascensão. “A expansão da carteira assinada impacta diretamente as capitais e regiões metropolitanas que, por isso, apresentam um crescimento maior na quantidade de empresas entre 2025 e 2026”, justifica Pazzini, ao afirmar que 12,3% de negócios foram abertos nessas áreas e, outros 9,7% nas cidades interioranas, no mesmo período, contra 10,9% da média nacional. Nesse ponto, o pesquisador chama a atenção para as alterações que vêm sendo efetuadas no sistema fiscal brasileiro que, a seu ver, devem propiciar uma escalada ainda maior na quantidade de estabelecimentos nos próximos anos.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil





