Jovem ainda estava viva quando foi encontrada no chão
“Vi pulsação, estava bem fraca, mas ela ainda tinha pulsação.” O relato é da enfermeira Rayza Dias, que participou do atendimento prestado à jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, após a queda durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo. Segundo a profissional, a vítima ainda apresentava sinais vitais quando foi alcançada pela equipe de socorro.
Em entrevista à TV Record, Rayza contou que o acesso até o local foi difícil por causa da ribanceira existente na região. “Eu ralei toda a minha mão porque lá é uma ribanceira e tem só uma corda para a gente descer. Eu estava cheia de barro”, relatou.
Ao encontrar Maria Eduarda, a enfermeira percebeu que ela ainda respirava, apesar da gravidade do quadro. “Vi que ela estava com uma respiração ofegante e olhei a pupila dela, que infelizmente estava dilatada, as duas. Vi pulsação, estava bem fraca, mas ela ainda tinha pulsação”, afirmou.
Rayza também disse que conseguiu falar com a jovem enquanto prestava atendimento. “Ainda conversei com ela. Tenho mania de brincar e falar: ‘ninguém morre no meu plantão’. E ainda falei para ela: ‘Duda, ninguém morre no meu plantão’, mesmo que eu não estivesse de plantão ali.”
A enfermeira seria a 42ª pessoa a saltar no dia. Ela estava filmando quando o acidente aconteceu.
“Eu ia mandar para uma tia minha (…) Eu não consegui ouvir (o que falavam) porque estava na expectativa de que eu iria pular (..) Eu só estava olhando ela, nem olhei como que eles colocaram as coisas (…) Quando ela cai, começo a ouvir todo mundo falando: ‘a corda, a corda'”, relata a testemunha.
Ao perceber o que tinha acontecido, ela pediu para que a levassem até onde a jovem tinha caído, na tentativa de ajudar com os primeiros socorros.
Caso é investigado como homicídio
Maria Eduarda, formada em Educação Física, moradora de Jandira e funcionária de uma academia, morreu após cair de aproximadamente 40 metros durante uma atividade de rope jump realizada na chamada Ponte do Esqueleto, uma estrutura ferroviária inacabada situada na zona rural de Limeira. O caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio com dolo eventual.
A jovem participava de um salto na modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que o praticante é conduzido por instrutores até a plataforma antes da queda controlada. Imagens registradas no local mostram que ela foi carregada por três integrantes da equipe, mas acabou sendo lançada sem estar presa às cordas de segurança responsáveis por impedir a queda livre.
Testemunhas relataram momentos de desespero logo após perceberem que houve uma falha nos procedimentos adotados pelos organizadores.
A investigação levou às prisões de Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra, que atuariam por meio das marcas “Ih Voei” e “Entre Cordas”. A prisão em flagrante dos três foi convertida em preventiva.
“Apagão”
Em depoimento, dois dos investigados disseram ter sofrido um “apagão” durante a preparação do salto e afirmaram não conseguir explicar como deixaram de prender as cordas de segurança em Maria Eduarda.
Segundo a delegada responsável pelo caso, a operação não era conduzida por uma empresa formalmente constituída. Os organizadores trabalhariam de forma autônoma e utilizavam perfis nas redes sociais para divulgar as atividades. Após a repercussão do acidente, essas páginas deixaram de estar disponíveis.
A defesa sustenta que os três possuem ampla experiência em esportes de aventura e afirma que esta foi a primeira morte registrada em suas trajetórias profissionais.
Jovem pagou R$ 330
Conforme as investigações, Maria Eduarda pagou R$ 180 para realizar o salto e mais R$ 150 pela gravação da experiência com uma câmera de 360 graus. O equipamento, que poderia ajudar a esclarecer o que ocorreu nos instantes anteriores ao acidente, ainda não foi localizado.
Nas redes sociais, a mãe da jovem, Valdenia Rodrigues, publicou mensagens de despedida marcadas pela emoção. “Minha filha amada, só hoje eu quis te abraçar mais de mil vezes. Como está me doendo sua partida. Te amo eternamente, minha princesa”, escreveu. Em outra publicação, afirmou: “Muito obrigada por fazer parte da minha vida durante esses 21 anos. Que honra foi ouvir você me chamar de mãe. Deus, obrigada por esse privilégio”.
Horas antes da atividade, Maria Eduarda havia publicado uma foto ao lado de placas que alertavam para o risco de morte no local e escreveu em tom de brincadeira: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”
A Ponte do Esqueleto pertence à União e já foi cenário de outros acidentes graves. Em 2024, uma ciclista morreu após cair do viaduto e, em outros episódios, duas mulheres ficaram gravemente feridas. Prefeitura de Limeira e Secretaria de Patrimônio da União divergem sobre a responsabilidade pela fiscalização da área e pelo controle de acesso ao local.



