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Recompensa por serviços urbanos ajuda a combater enchentes, mostra estudo da UCS

Recompensa por serviços urbanos ajuda a combater enchentes, mostra estudo da UCS
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Sistema de pagamento por serviços ambientais pode ter resultados positivos para metrópoles

A adoção da chamada infraestrutura verde atua em conjunto com os canais tradicionais de concreto e tubulações subterrâneas

A troca contínua da terra pelo asfalto bloqueia a infiltração da chuva e transforma vias públicas em rios que sobrecarregam bueiros e galerias. Para combater esse colapso do sistema de transição durante os temporais, uma solução é recompensar financeiramente moradores e empresas que adotam soluções da natureza dentro do próprio lote. A estratégia ganha força a partir de um novo estudo brasileiro, publicado na revista Cadernos da Metrópole, que atesta a previsão do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) no meio urbano em uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Saneamento Ambiental da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

O PSA já funciona no campo. A dinâmica ocorre quando governos ou fundos pagam o produtor rural que preserva nascentes e matas ciliares. A equipe da pesquisa transportou essa lógica de troca para a estrutura densa e fragmentada das metrópoles brasileiras, com foco em intervenções pontuais de retenção hídrica. “No contexto urbano, poderia receber incentivos proprietários de imóveis, condomínios, empresas ou organizações comunitárias que adotem práticas capazes de gerar benefícios ambientais, como implantar jardins de chuva, telhados verdes, sistemas de captação de água da chuva ou conservar nascentes”, explica o pesquisador Juliano Rodrigues Gimenez.

A adoção da chamada infraestrutura verde atua em conjunto com os canais tradicionais de concreto e tubulações subterrâneas. Essas soluções da natureza envolvem à cidade a capacidade de absorver e filtrar a água da chuva de maneira gradativa. “Essas soluções ajudam a devolver à cidade parte da capacidade natural de absorver, filtrar, reter e liberar a água de forma mais lenta, diminuindo a sobrecarga da infraestrutura tradicional e tornando a cidade mais preparada para eventos de chuva”, afirma o autor. 

Para tirar a ideia do papel, as prefeituras precisam vincular os incentivos aos seus Planos Diretores. Descontos locais já existentes, como o IPTU Verde, abrem caminho para estimular os proprietários, mas uma política municipal efetiva exige segurança jurídica e bases técnicas firmes. O estudo sugere, como perspectiva para pesquisas futuras, incluir os catadores de materiais recicláveis nas políticas públicas de saneamento, já que esses trabalhadores evitam ativamente o entupimento das galerias pluviais ao removerem os resíduos sólidos das ruas.

Com Agência Bori

Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil

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