Jovens de 16 a 24 anos são a geração mais infeliz do Brasil, aponta pesquisa
Sete em cada dez entrevistados estão insatisfeitos com a vida que levam
O Brasil costuma olhar para os jovens como a geração que vai transformar o futuro. Mas e quando são justamente aqueles que demonstram estar mais infelizes? Dados do “Mapa da Felicidade Real dos Brasileiros”, estudo conduzido pela pesquisadora em Ciência da Felicidade, Renata Rivetti, em parceria com o Instituto Ideia, revelam que jovens brasileiros entre 16 e 24 anos apresentam os indicadores de bem-estar quando comparados às demais faixas etárias: somente 32,5% afirmam estar satisfeitos com a vida que levam, enquanto entre as demais faixas etárias esse índice chega a 50,5%.
Esse público relata ter menos rede de apoio: 79% dizem ter pessoas com quem contar, percentual inferior a 88,5% contribuições entre adultos mais velhos demonstrando também uma relação significativamente mais negativa com o trabalho. Ao mesmo tempo, são também os que mais sofrem com a comparação social nas redes sociais. Além disso, 27% se sentem preocupados com frequência, contra 18% entre os mais velhos.
Para a pesquisadora, o cenário chama atenção porque desafia uma ideia frequentemente associada à juventude: a de que essa seria a fase de maior excitação e possibilidades. Na prática, os dados mostram uma geração que olha para o presente com mais sofrimento de pessoas muito mais velhas. “A juventude deveria representar energia, construção de projetos e descoberta de possibilidades. Quando justamente esse grupo relata níveis menores de satisfação com a vida, menos apoio e maior sofrimento cotidiano, estamos diante de um sinal importante sobre a forma como nossa sociedade está funcionando”, afirma Renata.
Na avaliação dela, esse é um debate que ultrapassa a esfera individual. “Esses jovens serão os profissionais, líderes, empreendedores, pais, mães e cidadãos que vão construir o Brasil nas próximas décadas. Muitos deles já participam das decisões políticas do país por meio do voto.
Trabalho: fonte de infelicidade
Um dos dados mais relevantes da pesquisa está na relação dos jovens com a vida profissional. Quase metade (46,7%) afirma que o trabalho os deixa mais insatisfeitos, percentual mais que o dobro da média das demais faixas etárias (20,5%). Trata-se de uma das diferenças mais expressivas identificadas pelo estudo.
Para Renata, o dado mostra uma transformação importante na maneira como as novas gerações enxergam o trabalho. “O trabalho continua sendo uma dimensão central da vida, mas deixou de ser apenas uma fonte de renda. Os jovens buscam propósito, desenvolvimento, pertencimento e saúde mental. Quando essas necessidades não são atendidas, o impacto emocional aparece muito cedo na trajetória profissional”, avalia.
A geração da comparação
Outro resultado robusto mostra o peso das redes sociais na percepção de bem-estar. Mais de 77% dos jovens afirmam já ter comparado sua vida com a de outras pessoas nas redes sociais, enquanto 71,1% dizem já ter ficado tristes após consumir esse tipo de conteúdo. Ambos os indicadores são significativamente superiores às observações entre pessoas acima de 25 anos. Além disso, 63,4% permitem que se sintam dependentes de redes e telas.
“Vivemos uma geração permanentemente exposta a padrões de sucesso, beleza, consumo e felicidade. O cérebro humano não foi preparado para se comparar centenas de vezes por dia. Isso afeta autoestima, sensação de pertencimento e percepção de valor pessoal”, alerta Renata.
Um alerta para o futuro
Embora os jovens mantenham níveis semelhantes às de muitas gerações, o presente é marcado por maior sofrimento emocional. Para ela, os dados reforçam a necessidade de um esforço coletivo envolvendo famílias, escolas, empresas e políticas públicas. “Cuidar do bem-estar dos jovens não é proteger uma geração. É investir na capacidade que ela terá de inovar, colaborar, liderar e construir relações mais saudáveis no futuro. Uma sociedade emocionalmente esgotada, difícil conseguirá construir um país mais sustentável e humano”, orienta a pesquisadora.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil




