AXIA Energia investe R$ 3,5 bilhões na infraestrutura energética do Sul
Serão 44 projetos de grande porte entregues até 2029
A AXIA Energia, antiga Eletrobras, colocou em prática um plano de investimentos de R$ 3,5 bilhões, focado na modernização e expansão de sua infraestrutura na região Sul. São 44 projetos de grande porte que serão entregues gradualmente até 2029, garantindo não apenas mais eficiência, mas uma segurança operacional renovada para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
O eixo desse plano está no Paraná, com a execução de 19 projetos, sendo que um aporte apenas de R$ 2,1 bilhões é dedicado exclusivamente à modernização do sistema de transmissão em corrente contínua de alta tensão (HVDC) na subestação de Foz do Iguaçu. Em uma parceria com a Itaipu, a AXIA está revitalizando os dois bipolos da linha que conecta o Paraná ao estado de São Paulo, um eixo vital para o escoamento de energia da usina binacional. A complexidade da obra, que teve início em 2024, exige a substituição integral de equipamentos críticos, como transformadores e válvulas. “É um projeto que envolve tecnologia de ponta, trazendo equipamentos novos para substituir sistemas que já não acompanhavam a demanda atual”, explica Marcelo Calvet, diretor de implantação da geração e transmissão da AXIA Energia. A previsão é energizar o segundo bipolo até o final deste ano, dando início a um período de dois anos de operação assistida.
Além do projeto em Foz, o plano abrange Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com foco em reforços e melhorias em ativos que, em muitos casos, herdaram décadas de operação. Em Santa Catarina, a AXIA vai investir mais de R$ 430 milhões com 15 projetos voltados ao fortalecimento da rede e destaque para a implantação da nova subestação Chapecoense. O empreendimento é considerado importante para o setor agroindustrial catarinense, atendendo a uma demanda crítica da distribuidora local, a Celesc. “É um projeto estratégico, uma linha de 15 quilômetros, que vai melhorar muito a demanda naquela região do agro”, destaca o diretor. O projeto será entregue com 24 meses de antecedência em relação ao prazo regulatório inicialmente estabelecido.
Já no Rio Grande do Sul, o plano de investimentos soma aproximadamente R$ 500 milhões com dez projetos. O cronograma de intervenções é rigoroso e planejado para não impactar o fornecimento de energia, respeitando as janelas de demanda de cada região. Entre os projetos, melhorias na subestação Gravataí 2 e 3, que já estão em andamento e devem ser finalizadas ainda este ano. E também melhorias estruturais em pontos como Santo Ângelo, Caxias e Passo Fundo, programadas para 2028. Além das obras de transmissão, o estado ganha destaque pela presença de ativos de geração renovável, como o parque eólico de Coxilha Negra. Já em operação, o complexo reforça a estratégia da companhia em diversificar sua matriz energética na região. O time técnico já analisa a viabilidade de novos projetos eólicos em solo gaúcho, buscando aproveitar o potencial para expandir sua capacidade de geração limpa nos próximos anos.
Equipamentos com muitos anos de uso estão sendo substituídos por sistemas digitais compactos, que permitem um monitoramento preciso da performance e da degradação dos ativos. Esse cuidado técnico é essencial para garantir a confiabilidade do sistema. “Estamos preparando nossas subestações para operar por mais 20 ou 25 anos com muito mais eficiência e segurança”, pontua o diretor.
O planejamento da AXIA para o Sul vai além de 2029, tanto que a empresa já prepara o terreno para os próximos ciclos de crescimento. O novo foco está no leilão de outubro, que deve incluir lotes de transmissão e subestações nos três estados da região. Além de buscar novas concessões em leilões, a estratégia de expansão também considera o movimento de mercado via aquisições. Para Marcelo Calvet, embora a região Sul seja atualmente a menor entre as quatro subsidiárias da AXIA, ela é vista como uma das fronteiras com maior espaço para novos investimentos. “A gente tem muitas opções, tanto em leilão como também em aquisições. Pretendemos adquirir partes de outras transmissoras que venham a querer vender sua participação”, projeta.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil






