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Sorriso: produtividade do milho deve chegar a 140 sacas/hectare mas preço preocupa sindicato

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A safra de milho em Sorriso, um dos principais produtores de Mato Grosso, deve alcançar produtividade média de 139 a 140 sacas por hectare, cerca de quatro a cinco sacas a mais que no ciclo anterior, na avaliação feita hoje, pelo vice-presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Adalberto Grando. Embora com desempenho positivo no campo e da expectativa de uma das melhores safras dos últimos anos, o custo elevado de produção e os preços atuais considerados baixos mantêm a rentabilidade dos produtores pressionada.

Segundo ele, com as cotações atuais, a conta do milho continua negativa para o produtor. “A gente vai superar um pouco a safra passada, mas a conta ainda está pesando para o lado do produtor. Hoje, se a gente pegar os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) de custo e produtividade, nós estamos com uma margem negativa no milho, com os preços que estão rodando hoje na praça”, afirmou.

Grando destacou que a presença das indústrias de etanol de milho tem sido fundamental para evitar uma situação ainda mais grave no mercado. “O mercado de etanol de milho é o que salva o produtor hoje aqui no Mato Grosso. Se nós não tivéssemos o mercado do etanol de milho, a produção que a gente conseguiu nos últimos anos de milho seria totalmente inviabilizada, porque nós não teríamos o que fazer com o milho e o preço estaria mais achatado ainda”, explicou.

De acordo com o dirigente, dados do Imea apontam custo de aproximadamente R$ 6,6 mil por hectare na produção de milho. Considerando a produtividade de 140 sacas por hectare, seria necessário receber próximo de R$ 50 por saca apenas para cobrir os custos, valor que, segundo ele, não está sendo alcançado atualmente. “A gente está atingindo uma superprodução e, mesmo assim, estamos com uma margem negativa. A conta não fecha e a sustentabilidade econômica do produtor fica totalmente comprometida”, disse.

O clima foi considerado favorável durante o desenvolvimento das lavouras em Sorriso, contribuindo para uma produtividade superior à registrada em 2025. Por outro lado, a armazenagem continua sendo um dos principais gargalos enfrentados pelos produtores, com grande quantidade de milho acumulada nos armazéns da região.

Outro problema apontado por Grando foi o aumento dos custos relacionados à tecnologia das sementes e ao controle de pragas. Segundo ele, produtores tiveram dificuldades para controlar a lagarta, mesmo utilizando sementes com tecnologia destinada à supressão da praga. Em alguns casos, foram necessárias cinco ou seis aplicações de inseticidas. Grando relatou que algumas variedades de sementes, que anteriormente custavam entre R$ 200 e R$ 400, atualmente ultrapassam R$ 1 mil. Na avaliação dele, o produtor acaba pagando mais pela tecnologia, mas não tem garantia de eficiência no controle da praga.

Além das dificuldades com as pragas, produtores também enfrentam problemas com doenças que atingiram os grãos durante a fase final da safra, aumentando a preocupação com os custos e a qualidade da produção. Para os próximos ciclos, o setor também acompanha as previsões climáticas relacionadas ao fenômeno El Niño. Grando considera que um eventual atraso no início das chuvas pode comprometer o calendário de plantio da soja e, consequentemente, reduzir a janela ideal para o cultivo do milho safrinha.

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Fonte: www.sonoticias.com.br

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