Vale alimentação cobre só 11 dias do mês no Sul
Levantamento da Pluxee demonstra que a média é próxima à nacional, mas menor em relação ao ano passado
Um benefício concebido para garantir que o trabalhador tenha recursos financeiros para pagar por refeições durante o seu expediente ao longo do mês, na prática, não dura nem a metade. Um levantamento recente realizado pela Pluxee, empresa global especializada em benefícios e engajamento de colaboradores, revelou que o vale-refeição cobriu, em média, 11 dias úteis por mês nos estados do Sul durante o primeiro semestre de 2026. No cenário nacional, o vale-refeição passou a cobrir, em média, 9 dias úteis por mês em 2026, uma redução de 4,4% em comparação aos 10 dias registrados no mesmo período do ano anterior.
“Os dados acendem um sinal de alerta inegável para a segurança alimentar do trabalhador brasileiro. O principal ponto de atenção que os números indicam é a discrepânciaentre a inflação e o reajuste do benefício, pois enquanto o IPCA da alimentação fora do domicílio foi de 6,2%, o valor facial do vale-refeição subiu apenas 1,5%. Esse cenário está reduzindo o poder de compra em um ritmo acelerado e ampliando a necessidadede complemento por parte dos trabalhadores, que hoje precisam desembolsar, em média, R$ 589 a mais do que recebem em vale-refeição para cobrir seus gastos”, afirma Antônio Alberto Aguiar, diretor executivo de estabelecimentos a Pluxee.
Valor das refeições pesa no bolso dos sulistas
Para lidar com a limitação do benefício, muitos trabalhadores continuam adaptando seus hábitos de consumo, e, no Sul, o percentual de complemento que é necessário desembolsar para bancar as refeições foi de 83,6% no período. Em Santa Catarina, onde o vale-refeição cobre somente nove dias úteis, o gasto médio por transação chegou a R$ 46,90. Com isso, o desembolso mensal médio saltou de 77,1% no primeiro semestre de 2025, para 103,1% em 2026, o que representa um aumento de 26 pontos percentuais.
No Rio Grande do Sul, o cenário é semelhante. O gasto médio por transação foi de R$ 47,50, e a duração do benefício no estado é de, em média, dez dias úteis. O desembolso mensal médio saltou de 95,2% no primeiro semestre de 2025, para 99,4% em 2026, um aumento de 4,2 pontos percentuais.
O Paraná é o estado com as refeições mais baratas na região — e o único que apresentou queda no desembolso. O valor médio das transações foi de R$ 38,60, fazendo com que o desembolso mensal médio passasse de 71,5% no primeiro semestre de 2025, para 70,7% em 2026, o que representa uma redução de 0,8 pontos percentuais. Ainda assim, no estado, o vale-refeição dura somente 11 dias úteis.
No online, valor gasto é maior
Além disso, o levantamento aponta diferenças nos hábitos de utilização do benefício. Em Santa Catarina, estado com os maiores valores em gastos médios, No ambiente digital, as compras online registraram tíquete médio de R$ 67,29. Já nas transações presenciais, o valor atingiu R$ 45,63.
No Rio Grande do Sul, compras realizadas pela internet tiveram tíquete médio de R$ 61,69, enquanto nas transações presenciais, o valor atingiu R$ 46,36. Já no Paraná, o online teve tíquete médio de R$ 51,50, e, nas transações presenciais, o valor atingiu R$ 37,57.
A diferença entre os canais evidencia como os trabalhadores adaptam seus hábitos de consumo para otimizar o uso do benefício, buscando alternativas que estejam alinhadas às suas necessidades e ao orçamento disponível.
Fonte: amanha.com.br/categoria/economia




