Ciclo de inadimplência puxa queda da intenção de consumo em agosto
Índice retrai em meio ao cenário de recordes de endividamento e incerteza no mercado de trabalho
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada nesta quinta-feira (20), recuou 0,6% em agosto, na comparação dessazonalizada com julho, atingindo 104,9 pontos. A retração do indicador foi liderada pela forte deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho: o componente de perspectiva profissional teve o maior recuo do mês 1,9% e registrou uma expressiva baixa de 9,9% frente ao mesmo período do ano passado. “O comportamento mais cauteloso das famílias ocorre em meio a um ambiente financeiro pressionado, o avanço da inadimplência entre empresas gera ruídos em toda a atividade econômica e afeta também a confiança dos trabalhadores ao ameaçar a estabilidade de suas ocupações”, analisa o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
A retração nas intenções de compra espalhou-se por quase todos os subíndices analisados. Na margem, houve quedas na renda atual de 0,6%, no nível de consumo atual (0,5%), no acesso ao crédito (0,3%) e no momento para duráveis (1,3%). A disposição para adquirir bens de maior valor até apresenta avanço de 17,5% no confronto anual, mas permanece em patamar desfavorável ao marcar 75,8 pontos (abaixo do nível neutro de 100 pontos). A perda de fôlego no consumo mensal ocorreu com a mesma intensidade nas diferentes faixas de rendimento, registrando variação de -0,6% tanto no grupo com ganho de até 10 salários mínimos, quanto no estrato superior a 10 salários.
Fonte: amanha.com.br/categoria/economia




