“Vai ser um por um”: investigação aponta suposto rodízio de visitas íntimas entre missionárias e presos
Mensagens analisadas pela Polícia Civil apontam que integrantes do grupo religioso Resgatando Vidas, que tinha acesso à Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, teriam mantido relacionamentos de caráter pessoal e sexual com diferentes detentos.
O caso consta em relatório da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), elaborado a partir de dados extraídos da conta iCloud de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida.
Entre as conversas analisadas está uma mensagem atribuída a Wiara Lima Cadore, de novembro de 2025. Ela afirma que pretendia visitar diferentes presos separadamente para evitar conflitos entre eles. “Vai ser um por um, para nenhum ficar brigado um com o outro”, disse.
Segundo a Polícia Civil, o diálogo indicaria que os encontros ultrapassavam a atuação religiosa. Em outra conversa, também analisada pelos investigadores, Wiara teria relatado que havia acabado de sair do presídio após encontrar um detento. A troca de mensagens seguinte foi interpretada pela polícia como tendo conotação sexual.
A investigação também cita presos apontados como integrantes ou lideranças de uma facção criminosa em Mato Grosso, entre eles Pedro Antônio dos Santos, o “Pedrinho” ou “Cotonete”; Renildo da Silva Rios, o “Velhote” ou “Chapa”; e Luiz Fagner Gomes dos Santos, o “Zóio”.
A Polícia Civil apura ainda se o acesso das integrantes à PCE, inicialmente destinado a atividades religiosas, teria sido utilizado para manter contatos com presos ligados à organização criminosa, inclusive para possíveis interesses além da assistência espiritual.
Rhavenna é apontada pelo Gaeco como próxima de Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman” ou “K9”, e de Renildo Silva Rios, o “Veio”, “Chapa” ou “Velhote”. As investigações também levantaram suspeitas sobre movimentações financeiras envolvendo pessoas ligadas ao grupo.
O caso resultou em denúncia contra Rhavenna, Renildo, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany e Lo Rhuama.
Wiara não está entre os seis denunciados nesse processo. Ela foi indiciada por falso testemunho, assim como Jéssi Mariane Araújo dos Anjos, Karolina Lopes Padilha e Lais Barbosa Lopes. Segundo a apuração, a situação das quatro seria analisada separadamente para eventual acordo de não persecução penal.



