Neodent investe R$ 2 bilhões para dobrar a produção em Curitiba
Nova fábrica elevará a capacidade da empresa para até 15 milhões de implantes por ano, destinados a mais de 100 países
A Neodent inaugurou na segunda-feira (21), em Curitiba, sua terceira fábrica de implantes dentários, cuja produção deve começar ainda neste ano. O investimento de R$ 2 bilhões até 2031 vai dobrar a capacidade produtiva da empresa, que deverá passar dos atuais 7,2 milhões para até 15 milhões de implantes por ano. O aporte é o maior já realizado pela companhia, controlada pelo grupo suíço Straumann, que financia o projeto com recursos próprios, segundo o presidente da Neodent e vice-presidente executivo do Grupo Straumann para a América Latina, Alexei Troyano Costa.
A operação da nova planta será ampliada gradualmente até atingir a capacidade plena, prevista para 2031. A nova unidade tem 42 mil metros quadrados de área construída e integra o Complexo Industrial Neodent Dr. Geninho Thomé, na Cidade Industrial. Com a expansão, a área industrial da empresa em Curitiba praticamente dobra, chegando a cerca de 80 mil metros quadrados.
Produção para o Brasil e o exterior
A produção da Neodent permanece concentrada nas três fábricas de Curitiba. A empresa não prevê, neste momento, a instalação de unidades produtivas em outros países, embora admita que o tema possa ser discutido no futuro por razões logísticas, geopolíticas e de mercado.
Entre os produtos fabricados está o implante Helix, apontado pela companhia como o mais vendido do mundo em sua categoria. A produção da nova unidade combinará linhas já existentes com produtos e inovações que devem chegar ao mercado a partir do próximo ano. Hoje, aproximadamente metade dos implantes fabricados fica no Brasil e a outra metade é exportada para mais de 100 países. A tendência, segundo a empresa, é de aumento gradual da participação internacional.
A nova fábrica foi projetada para ampliar a automação e o controle dos processos. A quantidade de máquinas CNC, utilizadas na fabricação de implantes e componentes protéticos, deverá dobrar em relação às unidades atuais, informa o vice-presidente de produção, Almir Zvetz. Nas duas fábricas em operação, as máquinas processam cerca de 30 peças por minuto. Na nova unidade, a velocidade chegará a 60 peças por minuto, com inspeção por câmeras, controle dimensional e verificação visual. A identificação dos produtos será feita por gravação a laser automatizada. Uma câmera confere se o código gravado corresponde ao item inserido na embalagem, reduzindo o risco de envio de um produto incorreto ao cliente.
A empresa define o modelo de operação como híbrido: a automação será ampliada, mas continuará dependendo de trabalhadores especializados. O projeto tem potencial para gerar até 2 mil empregos diretos ao longo dos próximos cinco anos, o que representaria aumento superior a 50% no quadro atual da companhia. Durante a construção, mais de 4.500 pessoas chegaram a cadastrar currículos para trabalhar na obra, que empregou cerca de 400 trabalhadores simultaneamente em seu período de maior movimentação.
Curitiba como centro de produção
A decisão de manter a expansão em Curitiba está relacionada à trajetória da Neodent, fundada na cidade em 1993 pelo cirurgião-dentista Geninho Thomé. Ao longo de mais de três décadas, a atividade da empresa ajudou a consolidar a cidade como um polo especializado em implantodontia, com uma cadeia formada por empresas, profissionais e instituições de ensino. A capital paranaense passou a concentrar a produção industrial da companhia e parte de suas atividades de inovação e desenvolvimento, atendendo tanto ao mercado brasileiro quanto às operações internacionais do grupo.
Para reduzir prazos de entrega no país, a Neodent mantém 19 lojas e centros de distribuição, além de outros hubs logísticos. A estratégia é permitir que os produtos sejam entregues em até 24 horas. No exterior, a empresa avalia ou mantém estruturas logísticas em países como Estados Unidos, Suíça, Espanha, Malásia e Singapura. A Polônia está em análise como possível base para atendimento à Europa Oriental e à Ásia Central. A cadeia de produção está sujeita à pressão de custos provocada pelo transporte internacional e pela variação de preços de insumos. O principal material utilizado nos implantes é o titânio, importado principalmente dos Estados Unidos. A empresa afirma que pretende compensar parte dessa pressão com ganhos de escala e aumento do volume produzido.
A nova fábrica foi construída segundo critérios internacionais de sustentabilidade e detém a certificação LEED. O projeto inclui 7.100 metros quadrados de área verde preservada, sistema de reaproveitamento de água para as descargas dos banheiros e política de aterro zero. A unidade opera com energia 100% renovável, obtida por uma combinação de geração solar e contratação no mercado livre. A companhia também utiliza resíduos plásticos da produção de alinhadores transparentes da ClearCorrect, outra marca do grupo Straumann, na fabricação de placas destinadas ao mobiliário do prédio. A construção empregou a metodologia BIM, que permite integrar informações de projeto, execução e gestão da obra. A operação deverá priorizar reciclagem, reutilização, compostagem e recuperação energética dos resíduos.
Expansão acompanha mudança no consumo
O diretor de novos produtos da Neodent, Sérgio Buarque, observa que fatores como o envelhecimento da população, o aumento da expectativa de vida e a maior atenção à saúde bucal ampliam a demanda por tratamentos de reabilitação oral. A empresa também identifica mudanças no comportamento dos pacientes, que chegam aos consultórios mais informados e, em alguns casos, já procuram diretamente por implantes.
Por isso, a Neodent pesquisa soluções voltadas à simplificação dos procedimentos e à ampliação do acesso, mantendo os mesmos padrões de qualidade para os diferentes mercados. Um exemplo citado é o sistema NeoConvert, que permite transformar uma dentadura em uma prótese provisória fixa sobre implantes. A estratégia também considera a formação dos profissionais. A empresa avalia que a implantodontia passou a ocupar mais espaço nos cursos de odontologia, o que pode ampliar o número de dentistas habilitados a realizar os procedimentos.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil




