Axia Energia conclui segunda etapa de obras na Usina de Colíder após apontamentos do MPMT sobre risco de rompimento
A Axia Energia (antiga Eletrobras) anunciou na última segunda-feira, 1º de dezembro, a conclusão da segunda etapa de intervenções estruturais na Usina Hidrelétrica de Colíder, localizada em Itaúba. As obras fazem parte de uma série de medidas emergenciais adotadas após o Ministério Público do Estado (MPMT) identificar falhas que poderiam resultar no rompimento da barragem.
Segundo a empresa, a etapa concluída envolveu a injeção de materiais no subsolo para preencher vazios encontrados durante um diagnóstico técnico. A companhia afirmou que não houve intercorrências e garantiu que a usina segue operando normalmente.
“A usina segue estável e em operação. O reservatório continua no nível atual, sem previsão de novos rebaixamentos”, diz a nota.
Nos próximos meses, especialistas contratados pela Axia Energia irão definir se novas intervenções serão necessárias para garantir a estabilidade da estrutura.
Risco identificado e denúncia à ONU.
A usina está ao nível de alerta desde agosto, após investigações do MPMT apontarem falhas no sistema de drenagem que podem representar risco de ruptura. Diante do cenário, quatro entidades civis chegaram a acionar a Organização das Nações Unidas (ONU), denunciando risco iminente de desastre e possíveis violações de direitos humanos.
No documento enviado ao Departamento de Direitos Humanos, à Água Potável e Saneamento, os grupos pedem máxima urgência nas apurações, destacando o impacto acumulado de hidrelétricas sobre o Rio Teles Pires, um dos mais afetados da Amazônia. O Ministério Público, inclusive, chegou a recomendar a desativação temporária da barragem caso as soluções não fossem suficientes.
Aquisição recente e histórico da usina.
A Axia Energia destacou que adquiriu a Usina Hidrelétrica de Colíder em maio deste ano e que “segue trabalhando para restabelecer a usina ao seu estado normal o mais rapidamente possível”.
A usina tem 300 megawatts de potência, está em operação desde 2019 e possui um reservatório de 168,2 km², abrangendo os municípios de Cláudia, Colíder, Itaúba e Nova Canaã do Norte.
A obra foi construída pela Copel Geração e Transmissão entre 2011 e 2019 e, posteriormente, transferida para a Eletrobras (hoje Axia Energia). Na negociação, houve trocas de ativos: a Copel recebeu R$ 196,6 milhões e dividendos, enquanto a Eletrobras cedeu a usina Mauá e participação na Mata de Santa Genebra Transmissão.
Apesar do alerta e das denúncias, a empresa reforçou que a Usina de Colíder representa apenas 0,5% do ativo total da Axia Energia, conforme informado ao mercado financeiro, e afirmou que trabalha para garantir segurança e estabilidade da estrutura.
Fonte: Por g1 MT.





