Tribunal do Crime: Polícia desmonta célula de facção envolvida em tortura e morte brutal de adolescente em MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira, 16 de janeiro, a Operação Proditio, para cumprir 21 ordens judiciais contra integrantes de uma facção criminosa responsável pela tortura, homicídio e ocultação do cadáver da adolescente Emily Carolaine Roman de Oliveira, de 16 anos. O crime ocorreu em outubro de 2025, no município de Araputanga.
Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, três internações provisórias, sete mandados de busca e apreensão e sete quebras de sigilo de dados telemáticos, expedidos pela Vara Única de Araputanga. As ações acontecem nas cidades de Araputanga e Jauru, com apoio de equipes da Delegacia de Araputanga e da Regional de Cáceres.
Segundo as investigações, a vítima foi atraída para uma residência no bairro Jardim Village, onde foi submetida a um “salve”, espécie de tribunal do crime da facção, que decretou sua morte. A jovem sofreu horas de tortura, incluindo espancamentos, afogamento, choques elétricos e, por fim, foi estrangulada com um lençol. O crime foi gravado em vídeo e compartilhado entre membros do grupo criminoso.
O corpo da adolescente foi encontrado dois dias depois, às margens do Rio Bugres. Laudos periciais confirmaram a morte por asfixia mecânica, além de múltiplas lesões, sinais de defesa e indícios de violência sexual.
As apurações apontam que a execução foi ordenada por lideranças locais da facção, como forma de punição e exemplo, motivada por conflitos internos e uma suposta traição envolvendo o desaparecimento de um integrante do grupo.
De acordo com o delegado Cleber Emanuel Neves, a operação representa um duro golpe contra a estrutura criminosa da região. “As provas demonstram uma organização hierárquica bem definida e a necessidade de medidas severas para impedir a continuidade desses crimes”, afirmou.
O nome Proditio, de origem latina, significa “traição” e faz referência direta à motivação do assassinato. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar a responsabilização criminal.





