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Chuvas intensas em Mato Grosso atrasam plantio e elevam riscos à produtividade do algodão

Fonte: Notícias Agrícolas
Chuvas intensas em Mato Grosso atrasam plantio e elevam riscos à produtividade do algodão
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As chuvas intensas registradas em Mato Grosso nas últimas semanas têm imposto desafios significativos à produção de algodão, especialmente na segunda safra, que responde por cerca de 80% da área cultivada no estado. O elevado volume de precipitações tem atrasado a colheita da soja e, consequentemente, a implantação do algodão, além de prejudicar a emergência e o estabelecimento inicial das lavouras.

Segundo o engenheiro agrônomo Márcio de Souza, coordenador de projetos do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), o excesso de umidade no solo já provoca impactos diretos no manejo da cultura.

“O excesso de chuvas tem afetado o rendimento da colheita da soja, atrasando sucessivamente o plantio do algodão de segunda safra e dificultando o estabelecimento do estande, principalmente por causa de doenças de solo”, explica.

O atraso na semeadura aumenta a dependência da regularidade das chuvas ao longo do ciclo da cultura e eleva o risco de perdas. Em áreas fora da janela ideal de plantio, a produtividade e a qualidade da fibra passam a depender do volume de precipitações na fase final de formação das maçãs. Caso essas chuvas não se confirmem, o potencial produtivo pode ser comprometido.

Regiões mais afetadas

Algumas regiões enfrentam situação mais crítica, como áreas ao longo da BR-163 e o município de Sapezal, onde os volumes registrados superam a média histórica. Nesses locais, o manejo exige maior atenção, com ajustes na condução da lavoura, uso criterioso de reguladores de crescimento e escolha de cultivares mais adaptadas a ciclos mais curtos.

De acordo com o consultor Ueverton Rizzi, especialista em produção de sementes de algodão, os impactos variam conforme a época de semeadura. Para a safra 2025/26, a estimativa é de que Mato Grosso cultive entre 1,35 milhão e 1,4 milhão de hectares de algodão, com predominância da segunda safra.

“O excesso de chuva tem prejudicado principalmente a emergência das plântulas, favorecendo doenças como tombamento e mela, o que acaba exigindo replantio e alongando ainda mais a janela de plantio”, afirma.

Em regiões como o Parecis, os volumes de chuva ultrapassaram 570 milímetros em janeiro, muito acima da média histórica. Esse cenário intensifica falhas no estande e aumenta a dependência das chuvas de maio e junho para que a cultura consiga expressar bom desempenho produtivo.

Custos pressionados

Além dos impactos agronômicos, o excesso de precipitações também pressiona os custos de produção. O prolongamento do ciclo pode exigir maior aplicação de fungicidas e inseticidas, além de provocar perdas de nutrientes aplicados via adubação. No caso do algodão de segunda safra, o replantio representa um custo adicional relevante, já que a semente possui alto valor agregado.

Para minimizar os prejuízos, técnicos reforçam a importância de respeitar a janela ideal de plantio em cada região. Márcio de Souza destaca que o produtor deve se basear no histórico climático local e priorizar a qualidade da implantação da lavoura, utilizando cultivares adequadas ao encerramento do ciclo. O tratamento de sementes também é apontado como fundamental para proteger as plântulas no início do desenvolvimento.

Mesmo diante de mais uma safra considerada atípica, a expectativa do setor é de cautela. Com manejo adequado e condições climáticas mais favoráveis nos próximos meses, parte do potencial produtivo ainda pode ser preservada. O principal desafio, segundo os técnicos, será equilibrar custos, calendário e sanidade da lavoura em um cenário de elevada variabilidade climática.

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