Denúncia de estupro em delegacia de MT ganha repercussão nacional após entrevista a Roberto Cabrini
Uma mulher de 24 anos denunciou ter sido vítima de violência sexual enquanto estava custodiada na Delegacia de Polícia Civil de Sorriso, no norte de Mato Grosso. O caso, considerado de extrema gravidade, envolve um investigador da própria instituição e está sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público.
Segundo o relato da vítima, os abusos teriam ocorrido em dezembro de 2025, dois dias após ela ter sido presa preventivamente, suspeita de envolvimento em um homicídio. A identidade da mulher é mantida sob sigilo. Ela afirmou que foi retirada da cela em mais de uma ocasião, sob pretextos administrativos, e que nessas situações teria sido submetida a atos de violência sexual.
De acordo com o depoimento, o servidor investigado teria ainda feito ameaças contra familiares da vítima, incluindo sua filha menor de idade. O conteúdo do relato foi formalizado em procedimento policial e encaminhado às autoridades competentes.
Durante a apuração, exames periciais foram realizados e, conforme informado pela Polícia Civil, houve compatibilidade genética entre o material biológico coletado e o DNA do investigador. Diante do resultado, a corporação representou pela prisão preventiva do suspeito.
O mandado foi cumprido no dia 1º de fevereiro, na residência do servidor. Na ocasião, foram apreendidos arma funcional, munições e outros materiais institucionais. Após audiência de custódia, ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães, onde permanece detido.
O inquérito reuniu relatos de outras mulheres custodiadas na unidade, que afirmaram ter percebido o abalo emocional da vítima após ela ser retirada da cela. Testemunhas relataram que a mulher retornava chorando e visivelmente abalada em algumas dessas ocasiões.
Conforme os autos, a vítima teria sido retirada da cela diversas vezes durante a noite, período em que teriam ocorrido os episódios investigados. A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o servidor pelos crimes de estupro e abuso de autoridade. O procedimento foi encaminhado ao Judiciário e ao Ministério Público para as providências legais cabíveis.
Paralelamente, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do investigador no âmbito interno.
A defesa do investigado ingressou com pedido de habeas corpus e solicitou a anulação da ação penal, alegando suspeição da promotora de Justiça responsável pelo caso. O argumento é de que haveria impedimento legal em razão de atuação anterior da promotora em procedimentos envolvendo um delegado que participou da investigação. O pedido ainda será analisado pelo Judiciário.
Nota da Polícia Civil
Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso informou que não compactua com desvios de conduta e que casos envolvendo servidores são apurados com rigor. A delegada-geral afirmou que o episódio é tratado com seriedade e reforçou o compromisso da instituição com a legalidade e os direitos humanos.
Situação da vítima
A denúncia foi registrada enquanto a mulher ainda estava presa. Posteriormente, a prisão preventiva dela foi revogada, mas outro mandado foi expedido em processo distinto, no qual ela é investigada por outros crimes. Atualmente, ela é considerada foragida.
As investigações seguem em andamento, tanto em relação à denúncia de violência sexual quanto aos demais procedimentos em curso.





