Safra recorde trava na estrada: fila de carretas com soja chega a 25 km rumo ao Porto de Miritituba
Uma fila de carretas carregadas com soja produzida em Mato Grosso se estende por cerca de 25 quilômetros no chamado Arco Norte, na rota de acesso ao Porto de Miritituba, no Pará, nesta segunda-feira, 23 de fevereiro.
Motoristas relatam longas horas de espera para triagem e descarregamento, enquanto entidades do setor agropecuário defendem mudanças estruturais na estratégia de armazenamento e escoamento da produção.
O Porto de Porto de Miritituba é um dos principais corredores logísticos para exportação de grãos pelo Arco Norte, alternativa aos portos do Sul e Sudeste.
Safra recorde e gargalo logístico
Para este ano, a previsão é de uma safra histórica, com 353 milhões de toneladas de grãos no país. No entanto, o volume expressivo expõe fragilidades na infraestrutura de transporte.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, destacou as dificuldades enfrentadas pelos produtores, agravadas pelo excesso de chuvas no estado.
Segundo ele, além dos prejuízos no campo, há frustração com os entraves no escoamento da produção já comercializada.
“A produção já enfrenta problemas com o volume de chuvas, que compromete parte das lavouras. Quando o produtor consegue colher e entregar o produto e se depara com essa situação na logística, fica ainda mais difícil”, afirmou.
Ele defendeu planejamento estrutural que envolva ampliação da capacidade de armazenagem, melhorias nas rodovias e organização portuária.
Chuvas atrasam colheita e plantio
O excesso de chuva em Mato Grosso também tem impactado a colheita da safra 2025/2026. A umidade elevada dificulta o acesso das máquinas às lavouras e pode comprometer o peso e a qualidade dos grãos.
Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), cerca de 39,61% da área prevista de soja já foi colhida. O acumulado de chuvas varia entre 90 e 150 milímetros em diversas regiões produtoras.
O plantio do milho segunda safra já alcança mais de 28% da área estimada, mas a tendência é de desaceleração nas próximas semanas devido ao atraso na colheita da soja.
A entidade também alerta para o aumento da pressão de pragas e doenças em áreas de ciclo mais tardio, como percevejo, mosca-branca e ferrugem asiática, fatores que podem impactar a produtividade final.
Até a última atualização, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e o Ministério da Agricultura e Pecuária não haviam se manifestado sobre a situação.





