Fórum nacional discute estratégias para impulsionar turismo de pesca e atrair estrangeiros ao Brasil
Entre os principais encaminhamentos do evento está a criação de um grupo de trabalho interestadual voltado ao desenvolvimento do segmento. A iniciativa contará com a participação de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Tocantins, Amazonas, São Paulo e Roraima, além de representantes do Ministério do Turismo, Ministério da Pesca e Embratur.
O objetivo é promover ações integradas para posicionar o Brasil de forma mais competitiva no mercado internacional de turismo de pesca, além de avançar na produção de dados e estatísticas sobre o setor.
Durante o fórum, o presidente da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), Marcos Glueck, ressaltou que ainda há escassez de informações consolidadas sobre o impacto econômico da pesca esportiva no país e sobre o número de praticantes da modalidade.
Segundo ele, a produção desses dados é essencial para embasar políticas públicas e demonstrar a relevância econômica da atividade.
“Um dos objetivos do grupo de trabalho é justamente levantar esses números. Eles são fundamentais para evidenciar o tamanho do setor e o impacto na geração de emprego e renda, especialmente em comunidades que muitas vezes não possuem outras alternativas econômicas”, afirmou Glueck.
Dados apresentados durante o encontro indicam que o turismo de pesca movimentou cerca de 72 bilhões de dólares no mundo em 2023, com projeção de alcançar 211 bilhões de dólares nos próximos anos. Na Europa, o setor reúne aproximadamente 25 milhões de pescadores esportivos, número muito superior ao registrado atualmente no Brasil.
O perfil desse turista também chama atenção. Pescadores europeus costumam dedicar cerca de 18 dias por ano à atividade, permanecem em média dez noites em viagens de pesca e apresentam gastos 36% maiores do que turistas de outros segmentos.
Além da prática da pesca, cerca de 75% desses visitantes buscam experiências complementares, como gastronomia regional, ecoturismo, passeios culturais e contato com comunidades locais.
De acordo com Glueck, compreender esse comportamento é essencial para desenvolver produtos turísticos mais atrativos.
“Estamos analisando os mercados europeu e americano para entender melhor quem é esse pescador, o que ele busca e como podemos estruturar políticas públicas e experiências turísticas capazes de trazer esse público para o Brasil”, explicou.
Potencial de Mato Grosso
A secretária adjunta de Turismo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Maria Leticia Arruda, destacou que Mato Grosso reúne condições naturais favoráveis para o crescimento da pesca esportiva, com acesso a importantes biomas como Pantanal, Cerrado e Amazônia.
Segundo ela, o estado tem adotado medidas para fortalecer o setor, incluindo a implementação da lei do transporte zero para espécies nativas, programas de capacitação de guias de pesca esportiva e a realização de inventários turísticos para mapear oportunidades e orientar investimentos.
“A pesca esportiva é um segmento organizado e com grande potencial. Com políticas públicas, parceria com o setor privado e participação em eventos como este, conseguimos ampliar a visibilidade de Mato Grosso e atrair mais turistas para o estado”, afirmou.
Além do impacto econômico, o fórum também destacou a importância de alinhar o crescimento do setor com práticas de sustentabilidade ambiental. Quando associada à conservação e ao turismo de experiência, a pesca esportiva pode contribuir para a geração de renda em comunidades locais e fortalecer atividades como gastronomia regional, ecoturismo e turismo cultural.




