Operação Agro-Fantasma apura golpe de R$ 70 milhões contra produtores no oeste de MT
A empresa Imaculada Agronegócios Ltda. É apontada como uma das principais envolvidas em um esquema que teria causado prejuízos superiores a R$ 70 milhões a produtores rurais no oeste de Mato Grosso. A companhia foi alvo da Operação Agro-Fantasma, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4), para cumprimento de ordens judiciais contra investigados por fraudes na compra e comercialização de grãos.
A empresa é ligada aos empresários Pedro Henrique Cardoso, Mário Sérgio C. Assis e Sérgio Pereira Assis, este último ex-deputado. Eles foram denunciados na semana passada sob acusação de aplicarem um golpe contra um produtor rural de Vila Bela da Santíssima Trindade.
Como o esquema funcionava
De acordo com o boletim de ocorrência, em 2025, durante o período de colheita da soja, o produtor foi procurado por um corretor de grãos que se apresentou como representante da Imaculada Agronegócios e da empresa Santa Felicidade Agro Indústria Ltda., ambas vinculadas aos investigados.
Segundo o relato, desde o início das negociações, os empresários afirmavam possuir robustez financeira e ampla capacidade operacional, garantindo inclusive que um dos sócios responderia pessoalmente em caso de inadimplência.
Inicialmente, foram realizadas operações menores de venda de soja, todas pagas regularmente, o que teria gerado confiança na relação comercial. Posteriormente, os suspeitos teriam solicitado que o produtor passasse a adquirir grãos de terceiros em seu próprio nome, com a promessa de que os valores seriam quitados nas datas acordadas.
Confiando no grupo, o produtor assumiu compromissos que ultrapassaram R$ 70 milhões. Até novembro de 2025, os pagamentos teriam sido feitos normalmente. No entanto, a partir de dezembro, os repasses cessaram, deixando o produtor responsável pelas dívidas. Para minimizar os prejuízos, ele precisou vender parte significativa dos grãos por valores abaixo do mercado.
Inadimplência milionária
Após buscar esclarecimentos, o produtor afirma que passou a receber justificativas evasivas e promessas de aportes financeiros que nunca se concretizaram. Posteriormente, teria descoberto, por meio de ex-funcionários, que o grupo não possuía lastro financeiro suficiente para honrar os compromissos assumidos e que a inadimplência seria prática recorrente.
Conforme as investigações, o grupo convencia produtores a utilizarem o nome de suas propriedades para realizar compras de grãos a prazo. Esses grãos eram revendidos à vista para indústrias, enquanto os pagamentos das compras parceladas ficariam sob responsabilidade das empresas investigadas.
Nos primeiros meses, os débitos eram quitados regularmente. Depois, os investigados deixavam de pagar, transferindo o prejuízo integral aos produtores. Em um dos casos apurados, a inadimplência ultrapassa R$ 58 milhões.
Vida de luxo e bens sequestrados
Além das suspeitas de estelionato, o grupo também é investigado por possível fraude fiscal e recebimento de créditos indevidos. Entre os bens alvo de sequestro judicial está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões.
As apurações indicam ainda que os investigados mantinham padrão de vida elevado, com residência em condomínio de alto padrão e uso de veículos importados de alto valor de mercado, como Porsche e Dodge Ram, que também estão entre os bens bloqueados pela Justiça.
A investigação segue em andamento para apurar a extensão dos prejuízos e identificar outras possíveis vítimas.





