Operação revela esquema milionário: quadrilha usava empresas fantasmas para lavar dinheiro do tráfico em MT
De acordo com a delegada Bruna Laet, responsável pelo caso, os investigados recorriam a pessoas jurídicas inexistentes ou a terceiros sem capacidade financeira para justificar movimentações milionárias. “Eles utilizavam múltiplas transações para disfarçar a origem do dinheiro e permitir o uso sem levantar suspeitas”, explicou.
Uma das principais empresas usadas pelo grupo em Mato Grosso atuava, supostamente, no ramo de instalação e manutenção de ar-condicionado, em Cáceres. O proprietário, de 43 anos, utilizava tanto as contas da empresa quanto pessoais para movimentar os valores. Somente em 2023, ele recebeu cerca de R$ 4,8 milhões e acabou preso durante a operação.
As investigações também identificaram a participação de duas empresas de São Paulo, registradas como prestadoras de assessoria em gestão administrativa, mas que funcionavam como “laranjas”. Um homem de 55 anos, apontado como responsável, foi preso em Taubaté (SP).

O esquema envolvia ainda empresas de diversos segmentos, como sorveteria, transporte de carga, incorporação imobiliária, salão de beleza, distribuição de bebidas, terraplanagem e consultoria empresarial — todas usadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico.
Segundo a Polícia Civil, entre junho e agosto de 2023, o grupo recebeu ao menos seis carregamentos de drogas, somando aproximadamente 2,7 toneladas de pasta base de cocaína. A movimentação financeira estimada chega a cerca de R$ 54 milhões.
As apurações indicam que a organização criminosa era estruturada, com divisão de tarefas bem definida e foco no lucro por meio do tráfico e da lavagem de dinheiro. A investigação durou mais de dois anos.

Durante a operação, foram cumpridos 10 mandados de prisão, além de quatro prisões em flagrante. Também foram apreendidas armas de fogo, veículos — incluindo caminhões e motocicleta —, relógios, aparelhos eletrônicos e dinheiro em espécie.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o funcionamento do esquema. Novas fases da operação não estão descartadas.




