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Rede familiar é essencial para romper ciclo da violência doméstica, destaca delegada

Fonte: Assessoria | Polícia Civil-MT
Rede familiar é essencial para romper ciclo da violência doméstica, destaca delegada
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A rede familiar exerce papel decisivo na prevenção e no rompimento do ciclo da violência doméstica. É dentro do círculo de convivência que, na maioria das vezes, a vítima encontra o primeiro apoio para denunciar as agressões e buscar proteção.

A afirmação é da delegada Mariell Antonini, coordenadora de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis e secretária-chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher — estrutura que está em fase de implantação pelo Governo de Mato Grosso.

Segundo a delegada, antes de procurar uma instituição formal, como a delegacia, a mulher costuma recorrer a alguém de confiança.

“Geralmente, a vítima procura primeiro alguém do seu círculo de convivência antes de recorrer a uma instituição formal. Por isso, esse primeiro contato, essa sensibilização para que ela busque ajuda, confie no Estado e enxergue uma rede de proteção ao redor dela, é muito importante e faz toda a diferença”, destaca.

De acordo com a delegada, mulheres que sofrem violência doméstica frequentemente apresentam mudanças claras de comportamento, como:

  • Isolamento social
  • Rompimento de vínculos com amigos e familiares
  • Alteração na forma de se vestir para esconder marcas físicas
  • Mudanças bruscas de personalidade

A orientação é que familiares estejam atentos a esses sinais e, principalmente, evitem falas que desestimulem a denúncia.

Frases como “ele vai mudar”, “isso é só uma fase” ou “pense nos seus filhos” podem manter a vítima em um relacionamento abusivo e fortalecer o ciclo de violência.

“As famílias exercem grande influência na decisão que será tomada pela vítima. Essas falas desestimuladoras precisam parar. A violência ocorre geralmente em um ciclo contínuo e progressivo, começando com ações menores e evoluindo para condutas cada vez mais violentas e potencialmente fatais”, ressalta.

Para a delegada, o enfrentamento à violência doméstica é responsabilidade coletiva e passa, necessariamente, por mudanças culturais dentro do ambiente familiar.

Ela observa que muitas criações ainda são marcadas por desigualdade de gênero, em que homens são incentivados ao controle e à liderança, enquanto mulheres são direcionadas ao cuidado da casa e da família.

“Quando se constrói a ideia de que o homem é o provedor e tem mais poder dentro da família, isso gera uma percepção de superioridade que pode se refletir em relações abusivas”, explica.

A autonomia feminina, especialmente financeira, é apontada como fator determinante para que muitas mulheres consigam romper o ciclo de dependência do agressor.

Além disso, a delegada defende que a educação familiar inclua ensinamentos sobre controle emocional, respeito às diferenças e resolução de conflitos por meio do diálogo.

“A violência não pode ser vista como forma de resolver problemas. É preciso ensinar que frustrações fazem parte da vida e que a violência nunca é uma solução. Essa mudança começa dentro de casa”, conclui.

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