Tribunal do Júri condena integrantes de facção a mais de 90 anos por duplo homicídio em Guarantã do Norte
Dois integrantes de uma organização criminosa foram condenados pelo Tribunal do Júri de Guarantã do Norte, pelos homicídios qualificados de Marcionílio Riselo Neto e Haroldo Júnior Barboza de Souza, além do crime de ocultação de cadáver.
O réu Keulis Jhoni de Souza Cordeiro foi condenado a 52 anos, 8 meses e 15 dias de reclusão, enquanto Luan Cardoso recebeu pena de 42 anos e 4 meses de prisão. Ambos iniciarão o cumprimento da pena em regime fechado e não poderão recorrer da sentença em liberdade.
O julgamento ocorreu no dia 27 de fevereiro, e o Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese apresentada pela promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo, reconhecendo que os crimes foram cometidos por motivo torpe, com uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os crimes aconteceram em julho de 2022, após o evento agropecuário Expotã 2022. Na ocasião, Haroldo Júnior foi atraído e coagido a entrar em um veículo com os criminosos, que posteriormente também emboscaram Marcionílio Riselo Neto. As vítimas foram levadas pela BR-163 até a zona rural do município, nas regiões conhecidas como Linha da Cachoeirinha e Linha Santo Antônio.
As investigações apontam que os dois homens sofreram torturas físicas e psicológicas durante o trajeto. Marcionílio foi morto primeiro, após receber diversos golpes de picareta no crânio. Em seguida, parte do grupo retornou à cidade para comprar soda cáustica, substância utilizada para dificultar a identificação do corpo, que foi ocultado em uma área de difícil acesso.
Depois, Haroldo Júnior também foi assassinado, sendo agredido com golpes de picareta e obrigado a ingerir a substância cáustica antes de ser enterrado em uma cova rasa.
Segundo o Ministério Público, o crime foi motivado por disputa envolvendo o tráfico de entorpecentes sintéticos, já que as vítimas estariam comercializando drogas sem autorização da facção criminosa que atua na região.
Durante o julgamento, a promotoria apresentou provas periciais, depoimentos e elementos reunidos pela Polícia Civil, além de imagens de câmeras de segurança, registros de redes sociais e informações anônimas que auxiliaram na investigação conduzida pelo delegado Lucas Lelis Lopes.
Outros dois envolvidos no crime já haviam sido condenados em 2024, em processo desmembrado.




