Uso excessivo de redes sociais e cultura da produtividade aumentam casos de burnout, alertam especialistas
O uso constante de redes sociais e a pressão por produtividade contribuem para o aumento de casos de Síndrome de Burnout, segundo especialistas.
De acordo com os psiquiatras Rodrigo Bressan e Gustavo Estanislau, ligados à Universidade Federal de São Paulo e ao Instituto Ame Sua Mente, o uso frequente de mídias digitais, principalmente durante momentos que deveriam ser de descanso, pode prejudicar o sono e aumentar os níveis de estresse.
Segundo Estanislau, muitas pessoas recorrem às redes sociais justamente quando deveriam relaxar, o que acaba provocando o efeito contrário. Ele explica que permanecer conectado deixa o cérebro em estado de alerta, dificultando o descanso real.
Outro hábito considerado prejudicial é o uso do celular antes de dormir. De acordo com o especialista, essa prática compromete a qualidade do sono, fator considerado essencial para a recuperação física e mental.
Além disso, a cultura da produtividade extrema divulgada nas redes também pode impactar a saúde emocional. Ao acompanhar rotinas consideradas “sobre-humanas”, como acordar muito cedo ou manter uma rotina intensa de trabalho e atividades, muitas pessoas passam a sentir que estão produzindo menos do que deveriam.
Essa comparação constante, segundo os especialistas, pode gerar sentimentos de insuficiência e alimentar a ideia de que descansar ou dormir é perda de tempo.
Sono é peça-chave para evitar burnout
Para Rodrigo Bressan, o sono é um dos fatores mais importantes para prevenir problemas de saúde mental, incluindo a Síndrome de Burnout. Ele recomenda evitar o uso de celulares no quarto para garantir um descanso adequado.
Entre as estratégias de prevenção apontadas pelos especialistas estão dormir entre 7 e 8 horas por noite, manter a prática regular de exercícios físicos e reduzir a ideia de que o valor pessoal está ligado apenas à produtividade.
Segundo Estanislau, quando a pessoa consegue equilibrar as expectativas relacionadas ao trabalho com outros aspectos da vida, como lazer, família e bem-estar, a tendência é que o nível de estresse diminua.
Nos casos mais graves, os especialistas indicam a busca por psicoterapia e avaliação médica, para investigar possíveis quadros de ansiedade ou depressão associados ao burnout.




