OMM prevê aquecimento acima de 1,5°C até 2030
Brasil pode enfrentar aumento de eventos extremos, com previsão de aumentos de chuvas no Sul
Um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta quinta-feira (28), projeta que o mundo deve registrar temperaturas entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais entre 2026 e 2030, com 86% de chance de um desses anos superar 2024 como o mais quente da história. Para o Brasil, o alerta é específico e preocupante: o documento prevê anomalias secas sobre a Amazônia no período de maio a setembro entre 2026 e 2030.
Segundo o relatório, produzido pelo Met Office do Reino Unido, o padrão de precipitação esperado para os próximos cinco anos indica “anomalias secas sobre a Amazônia” durante os meses de inverno e primavera no hemisfério Sul. A previsão contrasta com outras regiões do planeta, como o Sahel, o norte da Europa, o Alasca e a Sibéria, que devem ficar mais úmidas.
O relatório também indica uma tendência de formação do fenômeno El Niño nos anos de 2027 e 2028, o que, historicamente, impacta o regime de chuvas no Centro-Sul do Brasil — com potenciais excessos no Sul e secas no Nordeste e no Centro-Oeste. O autor principal do estudo, Dr. Leon Hermanson, afirmou: “está previsto um El Niño para o final de 2026, o que aumenta as chances de o ano seguinte, 2027, ser o próximo ano recorde”.
A combinação de temperaturas globais persistentemente elevadas (com 91% de probabilidade de um ano temporariamente ultrapassar 1,5°C) e a redução de chuvas na Amazônia pode agravar a estiagem, aumentar a vulnerabilidade a incêndios florestais e comprometer a capacidade de armazenamento de carbono da floresta. A região Norte do Brasil já enfrentou secas severas em 2023 e 2024, que afetaram o abastecimento de cidades, a navegação fluvial e a geração de energia hidrelétrica.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil




