Assassino tinha dúvidas se menina era filha biológica: “muito branquinha”
A dúvida de Claudinei Silva, de 42 anos, sobre ser ou não o pai biológico de Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, passou a integrar as linhas de investigação da Polícia Civil para esclarecer o que motivou o assassinato da menina, ocorrido no dia 7 deste mês, no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande. A informação foi revelada pela advogada da família da vítima, Dayane Rodrigues, durante entrevista ao SBT Comunidade nesta terça-feira (16), que afirmou que o suspeito tinha desconfiança sobre a paternidade da filha. Olga foi esganada e morta pelo pai.
Segundo a advogada, o suspeito dizia que a filha “era muito branquinha”. A desconfiança de Claudinei sobre a paternidade de Olga veio à tona após a advogada da família da vítima ter acesso ao inquérito policial que investigou a tentativa de feminicídio contra Mayara Santos, mãe da menina, em 2018. Conforme Dayane Rodrigues, o documento revela que a suspeita do investigado já existia anos antes do crime. Naquele ano, Claudinei manteve Mayara Santos, mãe de Olga em cárcere privado. Além disso, ele também cortou o cabelo de Mayara e a estuprou.
“Foi o que agora eu descobri, fiz uma solicitação aqui na Delegacia da Mulher, do inquérito da época. E nesse inquérito policial, a mãe da Olga relatava que ele acreditava que a Olga não era filha dele, motivo pelo qual ele brigava com a mãe, tinha essas crises de ciúme com a mãe. Ele falava pra mãe da Olga assim: ‘ela não é a minha filha, ela é muito branquinha, ela não é a minha filha”, relatou a advogada.
Ainda segundo a advogada, Mayara sempre negou a acusação e dizia ao então companheiro que Olga era, sim, filha dele, mas ele não aceitava. “A mãe da Olga desmente toda essa situação, fala que não, que a Olga é filha dele, falava pra ele na época, mas ele não acreditava, ele falava que a Olga não era filha dele”, conta.
Para Dayane, essa informação pode ser decisiva para esclarecer o motivo do assassinato. “Então hoje, vindo pra esse momento agora dos fatos, a gente leva a ideia de que possivelmente isso possa ter sido a motivação do crime. Quando eu soube, eu comuniquei a delegada da DHPP, fiz um requerimento pra delegacia, informando esse inquérito policial. A delegada já havia solicitado aqui também a cópia desse inquérito, e eu fiz um requerimento pedindo uma nova oitiva dele, um novo interrogatório, porque agora, como isso é muito relevante para o caso, nós precisamos saber o que ele tem a falar em relação a isso, se realmente ele acreditava que a Olga não era filha dele, porque isso pode ter sido um motivo pro crime ter acontecido”, emenda.
A advogada relembrou que Claudinei já havia sido condenado a 11 anos, 4 meses e 20 dias de prisão após manter Mayara em cárcere privado por três dias, agredi-la, ameaçá-la, cortar o cabelo dela e, depois e esfaqueá-la.
Segundo Dayane, durante o período de tortura, Claudinei obrigou Mayara a abandonar o emprego. A tentativa de homicídio aconteceu quando ele levou Mayara e a filha de bicicleta até um supermercado. Ao perceber uma oportunidade, a mulher pulou da bicicleta e pediu socorro, mas acabou atingida por duas facadas.
Após deixar a prisão, em abril de 2022, Claudinei e familiares procuraram a mãe de Olga para retomar o contato com a menina. “Quando ele saiu, ele, juntamente com a família dele, procurou a família da Olga, dizendo que queria essa reaproximação, que ele queria ter ela como uma filha, que queria ter os cuidados de pai”, contou.
Dayane afirmou que Mayara resolveu dar uma nova chance porque a filha desejava muito conviver com o pai.
“Como a Olga era uma criança que muito queria ter a presença de um pai, por conta disso, a mãe deixou tudo isso para trás e permitiu que ela começasse a ter esse contato com o pai”, destaca.
Ela destacou ainda que a relação entre os dois era limitada a visitas durante o dia. “Lembrando que esse contato com o pai era somente de ir, ver, passar o dia e voltar para casa, ela nunca tinha dormido na casa dele”, afirma.
Segundo ela, as informações recebidas pela família indicam que Claudinei decidiu se entregar por medo de ser morto por integrantes de facção criminosa. Para Dayane, ainda é cedo para afirmar a motivação do crime, mas a suspeita de que Claudinei acreditava não ser o pai biológico de Olga passou a ser um dos principais focos da investigação.



