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Novo tarifaço preocupa indústria do Sul

Novo tarifaço preocupa indústria do Sul
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A eventual implementação tende a ampliar as dificuldades enfrentadas pelas empresas exportadoras

A sucessão de investigações e anúncios de novas barreiras comerciais gera um cenário de crescente insegurança para os negócios internacionais

As federações de indústrias do Sul manifestaram preocupação com os processos conduzidos pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), que poderão resultar na imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao país a partir de 15 de julho. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) manifestou apreensão com os potenciais impactos dessas medidas para a competitividade da indústria nacional e, em especial, para setores estratégicos da indústria paranaense que mantêm forte presença no mercado norte-americano.

Entre eles, destacam-se os segmentos metalmecânico, cerâmico, moveleiro e, principalmente, de madeira, que possuem elevada participação nas exportações do Paraná destinadas aos EUA. Juntos, esses quatro setores representam cerca de 70% da pauta exportadora paranaense para aquele país e estarão entre os mais afetados caso as tarifas sejam efetivamente implementadas. A Fiep ressalta, ainda, que esse percentual comprova que a indústria paranaense estará mais exposta aos efeitos de possíveis novas taxações do que a média nacional, visto que, do total das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, somente 45% devem ser impactadas pelas medidas em discussão.

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) avalia que a aplicação de uma tarifa adicional seria prejudicial à economia catarinense. “A recomendação do USTR é especialmente preocupante para Santa Catarina pelo perfil das exportações do estado para os Estados Unidos, mais focada em produtos manufaturados”, afirma o presidente da entidade, Gilberto Seleme. Análise preliminar da Fiesc aponta que apenas entre 3,2% e 5,8% das exportações catarinenses para os EUA estariam isentas das novas tarifas recomendadas pelo USTR. Porém, existe um conjunto de produtos que já se encontra sujeito às tarifas globais da Seção 232 e que, por isso, não estaria sujeito à nova taxação. Assim, o percentual de produtos isentos desta nova taxação na pauta de exportação de SC fica entre 25,2% e 41,2%, dependendo da conversão entre as classificações dos EUA e do Brasil.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) também recebeu com preocupação o anúncio de uma nova proposta de tarifa adicional por parte dos EUA sobre produtos importados de 60 economias, incluindo o Brasil. A medida decorre de investigação conduzida pelo USTR, com base na Seção 301, relacionada à suposta insuficiência de mecanismos para coibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Para o Brasil, a proposta prevê uma sobretaxa adicional de 12,5%, que se somaria ao ambiente já adverso enfrentado pelas exportações brasileiras e gaúchas no mercado norte-americano.

O presidente da Fiergs, Claudio Bier, destaca que a sucessão de investigações e anúncios de novas barreiras comerciais gera um cenário de crescente insegurança para os negócios internacionais. “A indústria gaúcha acompanha com grande preocupação mais essa proposta de tarifa adicional. A constante incerteza em relação às regras de acesso ao mercado norte-americano afeta negativamente os negócios, dificulta o planejamento das empresas e compromete investimentos de longo prazo. O que as empresas precisam é de previsibilidade para competir e gerar empregos”, afirma Bier. Desde a adoção das primeiras medidas tarifárias pelos Estados Unidos, as exportações da indústria gaúcha para aquele mercado vêm registrando retração significativa. A eventual implementação de novas sobretaxas tende a ampliar as dificuldades enfrentadas pelas empresas exportadoras e reduzir ainda mais sua competitividade frente a concorrentes de outros países.

Fonte: amanha.com.br/categoria/economia

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