Matriz energética diversificada pesou na escolha da Scala Data Centers pelo RS
Complexo bilionário em Eldorado do Sul posiciona o Brasil como hub estratégico para a economia digital
A Scala Data Centers, empresa especializada na construção e operação de infraestrutura digital, detalhou o cronograma e o impacto estratégico da Scala AI City, complexo de processamento de dados e Inteligência Artificial que será instalado em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul. O empreendimento é visto como um marco que posiciona o Brasil como um hub estratégico para a economia digital, aproveitando a oferta de energia e a localização geográfica do estado para atender não apenas o mercado interno, mas também países vizinhos. A companhia possui atualmente 13 data centers em operação no país.
O projeto é descrito por Luciano Fialho, vice-presidente sênior da Scala, como a base física do mundo digital. Ele justifica a escolha por Eldorado do Sul principalmente pela disponibilidade de uma subestação de grande porte, a Guaíba 3, que já está construída, mas não é utilizada. Além disso, o Rio Grande do Sul oferece uma matriz energética diversificada, composta por fontes eólica, solar, hidrelétrica e termelétrica, essencial para uma operação que exige disponibilidade ininterrupta. “Nós não estamos disputando energia com nenhum outro tipo de consumidor; nós vamos usar a energia que não é utilizada aqui no estado”, explica.
O investimento inicial é de R$ 3 bilhões de para a primeira fase, que compreende um data center de 50 megawatts. Contudo, o potencial total do projeto é de 5 gigawatts. O objetivo é transformar o Brasil em um grande centro de processamento de dados, viabilizando a repatriação de informações que hoje são armazenadas no exterior e suportando o crescimento da economia digital.
O projeto encontra-se atualmente na fase de licenciamento. O plano diretor foi finalizado no primeiro trimestre e a expectativa é obter as autorizações necessárias no segundo semestre deste ano. A urbanização do terreno deve ocorrer no ano que vem e a construção dos prédios está prevista para começar em 2028. A operação deve iniciar entre o final de 2028 e o início de 2029. Fialho ressalta que o principal desafio logístico é o longo tempo de entrega de equipamentos especializados, como geradores e sistemas de refrigeração, devido à alta demanda global.
Sobre preocupações ambientais, o vice-presidente garantiu que o sistema de resfriamento utiliza circuito fechado, sem consumo intensivo de água. “O sistema usa água só uma única vez, ela é condensada e volta para o sistema de novo”, detalha. Em relação às enchentes de 2024, ele destacou que a área, monitorada desde 2023, está situada em um planalto de 30 a 40 metros acima da rodovia, o que oferece proteção natural contra cheias.
Para mensurar o impacto econômico e social do empreendimento, a Scala encomendou um estudo à Fundação Getúlio Vargas (FGV). O levantamento, que será divulgado na próxima semana em Brasília, detalha os efeitos dos investimentos em infraestrutura digital na geração de postos de trabalho. A análise revela que cada vaga criada diretamente no data center, são gerados outros 22 empregos de forma indireta ou induzida.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil




