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Santa Catarina poderá ser o estado do Sul mais beneficiado com o acordo Mercosul-UE

Santa Catarina poderá ser o estado do Sul mais beneficiado com o acordo Mercosul-UE
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Perspectiva faz parte de um estudo feito pela Apex-Brasil 

Santa Catarina lidera em número de itens na região Sul com 167 produtos mapeados

A consolidação do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia representa um divisor de águas para o comércio exterior brasileiro, abrindo as portas de um mercado avaliado em US$ 24,2 trilhões. Para garantir que o setor produtivo de todas as regiões brasileiras converta a redução de tarifas em novos negócios, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), elaborou um estudo que mapeia as oportunidades reais de exportação por estado. Estruturado a partir dos códigos tarifários internacionais, o levantamento identifica nichos de mercado na Europa e orienta a diversificação da pauta exportadora. Mais de 8 mil empresas já exportam ativamente para o bloco europeu, com destaque para São Paulo, que reúne 3.842 empresas exportadoras, seguido por Rio Grande do Sul (885) e Minas Gerais (863).

O estudo traça um diagnóstico do mapa produtivo nacional, destacando o potencial de cada macrorregião. Nesse cenário, o Sul destaca-se como um polo estratégico, evidenciando uma forte integração entre a tecnologia industrial e a produção agroindustrial e contando ainda com uma pauta exportadora marcada pela indústria de transformação (o setor responde por uma fatia entre 73% e 91% do total exportado pelos três estados).

No Paraná, a balança comercial mantém-se predominantemente superavitária, sustentada por um crescimento médio anual das exportações de 4,4%. A estrutura econômica estadual é liderada pela indústria de transformação, responsável por 73,4% das vendas externas, seguida pelo agronegócio, com 25,6%. Com base nos dados de 2025, os principais produtos exportados incluem soja, carnes de aves, farelo de soja, açúcares e milho. O estudo aponta um potencial significativo para o estado, identificando 76 códigos tarifários (SH6) com oportunidades de exportação para a União Europeia, divididos entre 45 produtos industriais e 31 agrícolas. Atualmente, 744 empresas paranaenses já exportam para o bloco, com perspectivas de expansão em setores de maior valor agregado, como o automotivo, a indústria madeireira com compensados e madeiras processadas, além de máquinas, equipamentos, válvulas e bombas, somando-se à força agroindustrial de carnes e derivados de soja e milho.

O Rio Grande do Sul, por sua vez, apresenta um perfil de balança comercial consistentemente superavitário, caracterizado por uma pauta diversificada que funde commodities agrícolas com produtos manufaturados de maior complexidade. A indústria de transformação responde por 76,7% das vendas externas gaúchas. Entre os principais produtos exportados em 2025, destacam-se a soja, o tabaco, o farelo de soja, carnes de aves, celulose e carne suína. O mapeamento da ApexBrasil e do MDIC identificou 74 produtos com potencial para o mercado europeu, sendo 47 na indústria e 27 no agronegócio, mobilizando 885 empresas exportadoras. As oportunidades para o estado concentram-se em manufaturados e insumos industriais, com destaque para partes e acessórios automotivos, polímeros de etileno, derivados de petróleo, calçados de couro e sintéticos, além da oferta contínua de carnes e tabaco processado.

Já Santa Catarina apresenta uma balança comercial deficitária desde 2009, com um ritmo de crescimento das importações (14,8% ao ano) que supera o das exportações (4% ao ano). Entretanto, o estado possui uma base industrial extremamente sólida, com a indústria de transformação representando 91,4% da pauta exportadora. Em 2025, os destaques foram as carnes de aves e suína, geradores elétricos, soja e madeira. Santa Catarina é, inclusive, o estado do Sul com o maior número de oportunidades identificadas pelo estudo, totalizando 167 produtos, dos quais 128 pertencem ao setor industrial e 39 ao agronegócio, com 761 empresas já atuando junto ao bloco europeu. O nicho estratégico catarinense na Europa foca em máquinas e bens de capital, como motores elétricos, peças para motores de pistão e bombas, além de compensados, partes automotivas, artefatos plásticos e, naturalmente, a consolidada produção de proteínas animais.

O acordo Mercosul–União Europeia carrega o potencial de reconfigurar profundamente a economia do Sul do Brasil. Para o economista e geógrafo Roberto Uebel, o Paraná deve se destacar como um dos maiores beneficiários dessa parceria, que promete impulsionar setores estratégicos como o agroindustrial e o automotivo, além de trazer benefícios diretos para as famílias, especialmente as de renda média urbana, com a ampliação do acesso a produtos europeus antes considerados caros ou fortemente tributados. Os impactos esperados e os desafios reais para a região estão detalhados em artigo especial publicado na última edição da Revista AMANHÃ (leia a análise completa clicando aqui).

Fonte: amanha.com.br/categoria/economia

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