Violência psicológica contra mulheres dispara em Mato Grosso e estado registra a 2ª maior taxa do Brasil
Mato Grosso registrou um aumento expressivo nos casos de violência psicológica contra mulheres e passou a ocupar a segunda maior taxa do país, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23 de julho. Em 2025, o estado contabilizou 3.720 ocorrências, contra 2.151 registradas em 2024, um crescimento de 70,3%.
O avanço é mais de quatro vezes superior ao registrado no restante do país. Em todo o Brasil, os casos passaram de 51.830 para 60.830, representando alta de 16,9%. Com isso, Mato Grosso elevou sua taxa de 112,9 para 192,3 registros por 100 mil mulheres, ficando atrás apenas de Roraima, que lidera o ranking nacional.
A violência psicológica passou a ser tipificada na legislação brasileira em 2021 e engloba condutas que causam sofrimento emocional, reduzem a autoestima ou buscam controlar a vítima. Entre elas estão ameaças, humilhações, manipulação, perseguição, constrangimentos, isolamento e chantagens.
Além do aumento da violência psicológica, o levantamento também aponta crescimento dos casos de perseguição (stalking) no estado. Os registros passaram de 2.221 em 2024 para 2.970 em 2025, um aumento de 31,6%.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), esses indicadores ajudam a compreender a escalada da violência doméstica. O relatório destaca que, em muitos casos, a violência começa com ameaças e agressões psicológicas, evolui para perseguição, agressões físicas, descumprimento de medidas protetivas e pode culminar em tentativa de feminicídio ou feminicídio consumado.
“Um parceiro que hoje ameaça pode, nas semanas seguintes, partir para a violência psicológica; depois, para a agressão física, para a perseguição, para o descumprimento de uma medida protetiva e, posteriormente, para uma tentativa de feminicídio e para o feminicídio consumado”, destaca o relatório do FBSP.
Caso de stalking ganhou repercussão.
Um dos casos de perseguição registrados em Mato Grosso ganhou destaque nesta semana após a condenação do professor de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues.
De acordo com a decisão judicial, ele perseguiu a ex-companheira por meio do envio insistente de e-mails, exigências de encontros presenciais e mensagens mencionando detalhes da rotina da vítima, como horários de trabalho, provocando medo e abalo emocional.
O professor foi condenado a 10 meses e 15 dias de prisão pelo crime de perseguição em contexto de violência doméstica e de gênero. A defesa nega a prática do crime, afirma que as mensagens tinham como objetivo tratar de assuntos relacionados aos filhos do casal e informou que recorreu da decisão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).



