Bioinsumos movimentam R$ 7 bilhões no Brasil
Uso retirou do ar 280 milhões de toneladas de CO₂ no ano passado
O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou cerca de R$ 7 bilhões em 2025 (considerando categorias como biocontrole, bioinoculantes, mobilizadores de nutrientes e biofertilizantes) e pode chegar próximo de R$ 10 bilhões até 2030, o que representaria um crescimento de aproximadamente 46%. As estimativas são da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii-Bio). Além disso, o uso crescente de bioinsumos no Brasil gerou economia de US$ 28 bilhões e redução de 280 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera no ano passado, segundo cálculos da Embrapa. Os dados foram apresentados na XXII Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare), que segue até esta quinta-feira (20) no Centro de Eventos Sistema Fiep, em Curitiba. O encontro debate o uso de microrganismos benéficos na agricultura, os protocolos de análise de qualidade e de validação de novos produtos, os desafios de mercado e de legislação.
A história teve entre seus marcos o desenvolvimento da fixação biológica de nitrogênio na soja, a partir das pesquisas realizadas desde as décadas entre 1930 e 1960. Na visão da pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, o Brasil construiu uma posição de liderança mundial no uso dessas tecnologias. “Com a expansão da soja para o Cerrado, pesquisadores brasileiros também adaptaram e aprimoraram microrganismos para as novas condições de solo e clima, demonstrando a importância da pesquisa e da inovação para ampliar o uso de soluções biológicas na agricultura”, avalia.
Outras culturas de alta demanda nutricional – como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens – passaram a empregar com mais intensidade os bioinsumos como alternativa para reduzir custos, aumentar a eficiência de uso de nutrientes, e melhorar a eficiência produtiva. No caso da soja, o uso de bactérias capazes de realizar a Fixação Biológica do Nitrogênio dispensa totalmente o uso de fertilizantes nitrogenados químicos. Cerca 85% da área de soja no Brasil adota a tecnologia a cada safra. A pesquisadora explica que, mesmo em áreas onde as bactérias já estão presentes naturalmente no solo, recomendamos a aplicação anual dos inoculantes, já que este bioinsumo pode gerar ganhos médios de produtividade da ordem de 8% e 16% na soja. O uso de inoculantes para gramíneas já ultrapassa 40 milhões de doses comercializadas anualmente.
Márcio Spinosa, diretor da Fundação Araucária, detalha que a agenda de bioinsumos tem importância estratégica para o Paraná e que busca avançar em toda a cadeia de conhecimento, desde a pesquisa até a transformação dos resultados científicos em produtos, serviços e riqueza. “Buscamos fortalecer a integração dos ecossistemas de ciência, tecnologia e inovação do Paraná com países próximos ampliando o alcance das pesquisas e contribuindo para a geração de riqueza e desenvolvimento social”, ressalta.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil




