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BC norte-americano eleva juros

BC norte-americano eleva juros
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Movimento não acontecia desde julho de 2023

O Fed, comandado por Kevin Warsh, nota que a economia norte-americana tem se expandido em um ritmo sólido

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, do Fed, o Banco Central norte-americano) aprovou por unanimidade elevar a meta para a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para uma faixa entre 3,75% e 4%. Esse movimento não acontecia desde julho de 2023. A decisão vem na contramão dos insistentes pedidos de Donald Trump para que os juros caíam. “A atividade econômica está se expandindo a um ritmo sólido. Embora a incerteza permaneça elevada, em parte devido a desenvolvimentos geopolíticos, o consumo interno tem se mostrado resiliente. O crescimento da produtividade é forte e o investimento de capital é robusto. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego apresentou pouca variação. A inflação permanece elevada. A ação política de hoje contribuirá para um retorno mais rápido à meta de 2%. O Comitê garantirá a estabilidade de preços”, destaca a nota publicada após a reunião do Federal Reserve. Assim como no encontro passado, o texto é bem curto e objetivo. 

O presidente da instituição, Kevin Warsh, concedeu uma coletiva de imprensa depois do anúncio. Warsh declarou que a inflação norte-americana está acima da meta há mais de cinco anos e a meta principal do Fomc tem essa missão. O presidente do Fed avaliou ainda que as estatísticas para a inflação deste verão nos Estados Unidos, sobretudo de junho e julho, levantaram a possibilidade de uma manutenção dos juros na reunião de hoje, mas não indicaram uma melhora significativa nas tendências do núcleo do índice, fato que pesou na decisão de elevar os juros.

Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital Nova York, o Fed optou por elevar a taxa a fim de evitar um choque de credibilidade no mercado de renda fixa americano. “Ainda assim, o movimento me parece precipitado. A inflação implícita de 5 e 10 anos está ancorada, o PCE (índice de inflação alvo do Fed) passará por uma revisão metodológica do Bureau of Economic Analysis em 30 de setembro que pode reduzir a leitura da inflação e as forças-tarefa lideradas por Warsh já vêm promovendo mudanças estruturais relevantes. O último dado do PCE registrou alta de 0,2%, sendo que metade veio justamente da categoria de serviços financeiros e seguros, cuja metodologia será revisada nessa data. Há tempos se sabe que parte desses dados é imputada e distorce a leitura de inflação. Elevar juros duas semanas antes de uma mudança metodológica dessa magnitude não me parece o melhor movimento”, opina o gestor em entrevista ao Portal AMANHÃ.

Para ele, a depender do desdobramento do conflito no Irã, poderá ter mais um aumento na taxa de juros ainda este ano. Entretanto, caso o petróleo volte a níveis mais estáveis, a inflação deve continuar convergindo para 2%, dado as mudanças metodológicas que vão acontecer no PCE, além do final da passagem das tarifas a inflação. “Nesse cenário, creio que o Fed mantém as taxas de juros estáveis pelo restante do ano. Além disso, a projeção de 3,4% para o PCE me parece exagerada, dado que ela implica que a inflação não irá ter um progresso positivo ao longo do resto do ano, o que não concordo”, avalia Flores. 

Fonte: amanha.com.br/categoria/economia

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