Cooperativas de crédito administram US$ 4 trilhões em ativos
Brasil segue entre os destaques globais do cooperativismo financeiro
O movimento mundial das cooperativas de crédito e instituições financeiras cooperativas encerrou 2025 próximo de uma marca histórica. Segundo o novo relatório estatístico divulgado pelo World Council of Credit Unions (WOCCU), o segmento reúne atualmente 419,9 milhões de associados, distribuídos em 61.838 cooperativas de crédito e instituições financeiras cooperativas presentes em 93 países, com ativos totais de aproximadamente US$ 3,9 trilhões. Além dos ativos, o sistema global reúne cerca de US$ 3,34 trilhões em depósitos e cotas de capital e aproximadamente US$ 2,8 trilhões em operações de crédito. No cenário internacional, o cooperativismo financeiro é representado principalmente por duas grandes organizações globais. O WOCCU reúne cooperativas de crédito (credit unions) e organizações congêneres presentes em dezenas de países.
A América do Norte continua concentrando a maior parcela dos ativos globais do cooperativismo financeiro. A região reúne aproximadamente 156 milhões de associados e cerca de US$ 2,9 trilhões em ativos, impulsionada principalmente pelos sistemas dos Estados Unidos e do Canadá. Os Estados Unidos permanecem como o maior sistema cooperativo financeiro do mundo, com aproximadamente 144,8 milhões de associados e ativos superiores a US$ 2,4 trilhões.
O Brasil segue entre os destaques globais do cooperativismo financeiro. O sistema brasileiro alcançou aproximadamente 23,8 milhões de associados, ativos de US$ 168,6 bilhões, carteira de crédito superior a US$ 103 bilhões e depósitos e capital social superiores a US$ 110 bilhões. Os números consolidam o país como o maior sistema cooperativo financeiro da América Latina e um dos maiores do mundo em número de associados e volume de ativos.
Mais do que apresentar estatísticas, o relatório de 2025 revela uma mudança importante na agenda estratégica do cooperativismo financeiro mundial. Temas como transformação digital, inteligência artificial, cibersegurança, competição digital e governança assumem posição de destaque nas preocupações dos dirigentes cooperativistas ao redor do mundo. Segundo a pesquisa realizada junto às organizações integrantes da rede global do WOCCU, quase metade das entidades já realiza experimentos com inteligência artificial, enquanto aproximadamente um terço utiliza a tecnologia em funções específicas de negócio. Os maiores potenciais identificados concentram-se em atendimento aos associados, produtividade das equipes, análise de dados e prevenção de fraudes.
Outro aspecto relevante abordado pelo relatório é a crescente complexidade dos temas submetidos aos conselhos de administração das cooperativas de crédito. Questões relacionadas à transformação digital, supervisão de riscos, cibersegurança, sucessão de lideranças e inteligência artificial passaram a integrar de forma permanente a agenda da governança cooperativa. Pela primeira vez, o WOCCU também avaliou indicadores internacionais de participação feminina em entidades representativas do cooperativismo financeiro. Entre as organizações analisadas, as mulheres ocupam aproximadamente 28% dos assentos em conselhos de administração, 27% das presidências de conselhos e 22% dos cargos de direção executiva.
Fonte: amanha.com.br/categoria/economia




