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Nilson Leitão defende produção em terras indígenas e recebe apoio de lideranças

Nilson Leitão defende produção em terras indígenas e recebe apoio de lideranças
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Em reunião virtual, o candidato a deputado federal Nilson Leitão (PP-MT) se encontrou com lideranças indígenas de diferentes regiões do Brasil para discutir apoio à produção econômica em territórios indígenas.

Leitão apresentou seu histórico político e sua relação com os povos indígenas desde os tempos de prefeito, quando o município assumiu a estrutura de apoio à saúde indígena. Ele relembrou o conflito que terminou com a desintrusão na Terra Indígena Marãiwatsédé, na região de Alto Boa Vista, episódio que, segundo ele, o aproximou da causa.

“Quando cheguei lá, fui entender o que o indígena pensava e o que o proprietário rural que estava perdendo sua área também pensava. Voltamos para o Congresso e perguntei aos deputados mais velhos o que poderia fazer para resolver aquele conflito, onde quatro mil proprietários foram desalojados sem que fosse vontade dos indígenas”, disse.

Esse episódio o levou a criar a primeira comissão do Congresso Nacional para discutir demarcação de área indígena no Brasil. Os trabalhos da comissão permitiram entender o modo de vida das comunidades, os gargalos e as dificuldades que os indígenas brasileiros vivem.

Leitão citou a CPI da Funai e do Incra, da qual foi relator, a PEC 2015, que presidiu, e uma audiência pública sobre o direito de produção em escala dentro das áreas indígenas. Ele apresentou dados sobre mortalidade em comunidades indígenas para justificar sua defesa da produção econômica nas aldeias.

“Só em Roraima, a morte de índios aumentou mais de 178% entre 2009 e 2015. Por falta de comida, depressão, falta de remédio e de dinheiro”, afirmou.

Demandas das lideranças

O cacique Dapoto’wa Ra Tsrebabari, líder Xatagaká, pediu que seja criada uma lei que permita aos indígenas a produção em pelo menos 10% de seu território. Ele lembrou que os Parecis produzem em cerca de 2% e pediu que o governo crie condições para a exploração mineral em terras indígenas, citando a dificuldade enfrentada pelos Cinta Larga.

“Os Cinta Larga podem minerar dentro do território deles por dois anos, mas qual foi o subsídio que deram? O diamante de melhor qualidade é o diamante profundo. Como eles vão minerar se não têm equipamento, se não têm subsídio, não têm nada? São esses os gargalos. Não adianta dar o peixe, tem que dar o anzol”, finalizou.

Nilson Leitão defendeu que, além do subsídio, os povos indígenas sejam autorizados a ter parcerias com a iniciativa privada.

“Não podemos ter só dinheiro público para isso. Temos que ter as empresas privadas, aquelas que compram o diamante, para que possam investir em vocês, como acontece com a soja. Quem financia a soja é quem compra a soja, as tradings”, disse.

A demarcação de terras também foi tema do encontro. Dapoto’wa disse que em Mato Grosso pelo menos cinco etnias estão sem território e defendeu que áreas já determinadas como de preservação sejam ocupadas em parte, como o Parque Cristalino, na região de Alta Floresta, e a Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, em Colniza e Aripuanã.

Para Leitão, falta boa vontade do governo.

“Tem muita reserva sem cuidado. Não precisa pegar terra do produtor nem terra privada. Sobra área pública onde o indígena pode produzir e o governo não quer deixar. Já que o indígena é o guardião da floresta, ele pode ser também o guardião da produção nessas florestas onde existe condição de produzir”, destacou.

O cacique Lucas Tukano Doé, representante do povo Tukano em São Gabriel da Cachoeira (AM), defendeu que os mesmos direitos dados para a exploração agrícola sejam dados para a exploração mineral.

“Tem que ter regulamentação da questão mineral em terras indígenas. Hoje, quando se fala em questão mineral, parece que o mundo vai explodir. Os ativistas e as ONGs pintam a questão mineral com tinta preta. Aqui em São Gabriel da Cachoeira temos nióbio, diamante, ouro, todo tipo de minério e terras raras, mas a gente não pode tirar porque não tem uma lei que respalde”, defendeu.

Para o cacique, a falta de políticas econômicas inclusivas reforça o estereótipo de que os indígenas são pobres e miseráveis.

O cacique Marcos Dito Xavante, da Aldeia Nova Esperança em Paranatinga, pediu equipamentos para a exploração agrícola em sua reserva.

“Eu preciso de maquinário para trabalhar. Todo mundo fala que o índio é preguiçoso. De que jeito vamos gradear? Com a unha?”, desabafou.

O cacique Amazonas, que lidera um projeto agroindígena em Roraima, relatou experiência com parcerias produtivas na terra indígena Raposa Serra do Sol, na tríplice fronteira entre Brasil, Guiana e Venezuela. Ele recomendou que cada reserva faça análise de solo e use a Embrapa para viabilizar projetos.

Apoio à candidatura

Ao final, algumas lideranças declararam apoio à candidatura de Nilson Leitão.

O professor e linguista indígena Warý Kamaiurá Sabino, do Alto Xingu, disse que o Alto Xingu está com Nilson Leitão.

“Eu conto com o senhor, pode contar conosco. Já amarramos o nosso apoio do Alto Xingu. Nós estamos contigo”, afirmou.

Elenildo Kayabi, à frente de um projeto de turismo de pesca esportiva no baixo Teles Pires, em Alta Floresta, pediu atenção para a região.

“Peço sua atenção para nossa região, que está muito esquecida. Pode contar com a gente também nessa eleição, vamos estar junto com o senhor”, disse.

Josiane Kayabi também declarou apoio.

“Espero que dê certo, que o senhor sente nessa cadeira e lembre de nós, de todos os povos indígenas”, afirmou.

Nilson Leitão agradeceu.

“Vocês têm todo meu apoio. Eu acredito em vocês, na capacidade de produção de vocês, na capacidade de ajudar o Brasil a equilibrar essa balança da justiça social para que as pessoas tenham oportunidade. Contem comigo, me ensinem bastante. Eu não tenho nenhum preconceito em olhar para todos os indígenas e dizer que nós todos somos irmãos.”

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