BC norte-americano mantém juros inalterados
Taxas permanecem entre 3,5% e 3,75%
O Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) decidiu manter a meta para a taxa de juros entre 3,5% e 3,75%. A decisão teve nove votos favoráveis e três contrários. Votaram contra a medida Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan, que preferiram elevar em 0,25 ponto percentual. Essa é a quinta reunião consecutiva que os juros permanecem inalterados.
“A atividade econômica está se expandindo a um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio. O crescimento da produtividade e o investimento de capital são fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego apresentou pouca variação. A inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo o de energia”, relata o comunicado publicado depois do encontro.
“Na minha visão, o comunicado trouxe sinais em direções opostas, com uma leitura neutra. Na escrita, o tom foi até mais brando do que o esperado. O comitê reconheceu explicitamente que a inflação elevada reflete, em parte, choques de oferta em setores específicos, incluindo energia. Essa é uma distinção importante, pois choques de oferta não se combatem com juros mais altos. Ao fazer essa separação, o FED sinalizou que entende a natureza do problema e que não pretende reagir de forma automática a uma pressão inflacionária que está fora do seu controle”, avalia Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital.
Por outro lado, ele acredita que o placar de nove a três pesa na direção oposta. “Essa dissidência tripla mostra que o apetite por aperto monetário está crescendo dentro do comitê. O resultado líquido é um comunicado equilibrado. Dovish no diagnóstico, hawkish na composição do voto”, contextualiza Flores. “O Fed está diante de sinais mistos que favorecem, sem dúvida, a cautela. De um lado, a inflação segue acima de 3% e as pesquisas regionais do Dallas Fed, Richmond Fed e New York Fed confirmam que os preços permanecem pressionados. De outro, as projeções de inflação em até dez anos estão estáveis e bem comportados na faixa de 2,3%, sinalizando que o mercado não enxerga uma deterioração estrutural na trajetória de preços”, justifica.
Restam três reuniões neste ano e, na visão de Flores, uma alta de juros não pode ser descartada, especialmente se o petróleo voltar a subir por conta da guerra no Irã. A manutenção das taxas, dentro do esperado, favoreceu os ativos de risco. As bolsas americanas reagiram positivamente ao comunicado, com o S&P 500 e o Nasdaq ganhando tração. O dólar recuou contra uma cesta de moedas e perdeu força também contra o real, reforçando a leitura de que, enquanto o Fed optar por não apertar, os ativos emergentes ganham espaço e a moeda norte-americana perde força.
Fonte: amanha.com.br/categoria/economia




