Tecnologia da UFRGS substitui substância tóxica em tratamento contra ferrugem
Pesquisa utiliza cromo trivalente e água oxigenada para proteger o aço, eliminando o uso do cromo hexavalente na indústria
Pesquisadores da UFRGS desenvolveram uma alternativa inovadora para combater a corrosão em aços galvanizados, eliminando a dependência industrial do cromo hexavalente. Atualmente, o setor industrial utiliza o cromo hexavalente para criar a camada protetora contra a ferrugem. O problema reside na periculosidade da substância, que é “conhecida mundialmente por sua elevada toxicidade ambiental, potencial cancerígeno e capacidade mutagênica”, alerta o professor Luís Frederico Dick, do Laboratório de Processos Eletroquímicos e Corrosão (Eletrocorr).
Foi tentando encontrar um meio-termo entre a eficiência e a preservação ambiental que, em 2023, o grupo Eletrocorr iniciou a pesquisa e posteriormente aprovou um projeto de substituição desse processo tóxico junto ao CNPq. A tecnologia desenvolvida na UFRGS, então, propõe o uso de cromo trivalente (Cr(III)) com oxidação por água oxigenada como estratégia anticorrosiva em materiais de aço zincados. A solução encontrada pela equipe é mais sustentável e econômica que as alternativas anteriores, que dependiam de materiais caros como zircônio e titânio. Segundo o professor, a água oxigenada, usada na oxidação, é inofensiva ao meio ambiente. “A água oxigenada não deixa resíduo, já que se decompõe em hidrogênio e oxigênio”, conta. Além da segurança ambiental, o método apresenta alta eficácia.
Atualmente, na indústria, o banho de cromo é feito por imersão, mergulhando as peças de aço que se deseja proteger em uma bacia de Cr(VI). Na sequência, há duas possibilidades: deixar secar naturalmente ou lavar. Na primeira opção, conforme o pesquisador, qualquer chuva que caia na peça que não foi lavada pode contaminar o ambiente, por exemplo, lençóis freáticos ou plantações. Na pesquisa desenvolvida pela UFRGS, a reação química empregada também gera Cr(VI), contudo, em uma quantidade muito menor do que o processo utilizado atualmente na indústria. “A maior parte [da peça] fica com o cromo trivalente. O cromo hexavalente [resultante do processo] reage com zinco e faz esse filme. Mas não tem aquele excesso”, compara Dick.
O professor afirma que o estudo não testou a porcentagem do Cr(VI) gerado pela reação que vai para a natureza. “É uma parte do estudo que está seguindo”, diz sobre os próximos passos. “Eu gostaria de fazer na indústria com placas maiores. Em laboratório não se chegou a esse resultado”, acrescenta. De acordo com Dick, para fazer esse teste, basta uma empresa se prontificar. Ainda conforme o pesquisador, a tecnologia desenvolvida em laboratório não apresenta limitações metodológicas e já poderia ser implementada no âmbito comercial. “A contribuição para a indústria local e no Brasil é uma contribuição ambiental, principalmente se essa patente for disponibilizada, liberada para o uso dessas indústrias”, conclui o professor.
Fonte: amanha.com.br/categoria/brasil




