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Violência contra a mulher: combater o silêncio é responsabilidade de toda a sociedade

Violência contra a mulher: combater o silêncio é responsabilidade de toda a sociedade
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Há mais de 25 anos dedicado à educação e acompanhando de perto a realidade da comunidade de Guarantã do Norte e região, aprendi que educar não significa apenas transmitir conhecimento. Significa também contribuir para a construção de uma sociedade mais consciente, humana e capaz de respeitar a dignidade de cada pessoa. É por isso que considero fundamental falar, denunciar e enfrentar um problema que ainda destrói famílias e deixa marcas profundas: a violência contra a mulher.

A violência doméstica e familiar não pode ser tratada como um problema particular, uma simples discussão de casal ou uma questão que deve permanecer dentro de casa. Quando uma mulher é agredida, ameaçada, humilhada, controlada ou submetida a qualquer forma de violência, toda a sociedade precisa se posicionar.

O silêncio também precisa ser enfrentado. Durante muito tempo, muitas mulheres sofreram caladas por medo, dependência financeira, vergonha, falta de informação ou por acreditarem que ninguém poderia ajudá-las. Esse cenário precisa mudar. O Agosto Lilás tem justamente essa missão: ampliar a conscientização, divulgar os direitos das mulheres e fortalecer a prevenção e o enfrentamento à violência. Mas essa luta não pode se limitar a apenas um mês. O combate à violência contra a mulher precisa acontecer durante todo o ano.

Como professor, acredito que a educação possui uma força extraordinária nessa transformação. É dentro da escola, da família e da comunidade que podemos ensinar, desde cedo, que respeito não é favor: é um princípio básico da convivência humana. Uma mulher precisa saber que não está sozinha. Precisa conhecer seus direitos, saber onde buscar ajuda e sentir segurança para procurar os serviços de proteção e atendimento.

Ao mesmo tempo, precisamos trabalhar para que crianças, adolescentes e adultos compreendam que a violência não se manifesta apenas por meio da agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle e violências psicológica, sexual e patrimonial também são formas de violência e não podem ser normalizadas.

A informação quebra barreiras. A conscientização rompe ciclos. A educação transforma comportamentos. Defender o fim da violência contra a mulher também significa defender políticas públicas eficientes. Precisamos fortalecer as redes de proteção, ampliar o atendimento às vítimas, garantir acolhimento humanizado, facilitar o acesso à informação e assegurar que as mulheres encontrem apoio quando decidirem romper com uma situação de violência.

Não basta dizer que a mulher deve denunciar. É preciso garantir que, ao buscar ajuda, ela encontre proteção, respeito, atendimento e condições para reconstruir sua vida. Também é necessário investir na prevenção. Combater a violência depois que ela acontece é indispensável, mas impedir que ela aconteça é ainda mais importante.

O Nortão cresceu, se desenvolveu e continua construindo sua história. Como alguém que acompanha essa caminhada há décadas, acredito que o desenvolvimento de uma região pode ser medido apenas por suas obras ou pelo crescimento econômico. Uma cidade verdadeiramente desenvolvida é aquela que protege seus cidadãos, valoriza suas mulheres, educa seus jovens e não aceita a violência como algo normal.

Cada família, escola, igreja, empresa, instituição pública e organização comunitária pode contribuir para essa mudança. Precisamos ensinar nossos filhos a respeitar. Precisamos orientar nossas famílias. Precisamos acolher quem pede ajuda. Precisamos denunciar situações de violência. E precisamos, sobretudo, deixar claro que nenhuma mulher deve ser obrigada a viver com medo dentro da própria casa.

Minha mensagem é simples e direta: não podemos nos acostumar com aquilo que precisa ser combatido. Toda mulher merece viver com liberdade, segurança e dignidade. Toda criança merece crescer em um ambiente onde o respeito seja maior que a violência. Toda família merece construir relações baseadas no diálogo, e não no medo.

O Agosto Lilás é um importante chamado à reflexão, mas nossa responsabilidade não termina quando o mês acaba. Combater a violência contra a mulher é defender a vida, a dignidade, a família e uma sociedade mais justa.

Acredito que a transformação começa quando deixamos de ser indiferentes. Informação, educação, prevenção, políticas públicas e solidariedade precisam caminhar juntas. Que possamos transformar o silêncio em voz, o medo em coragem e a conscientização em atitudes.

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