Sono em excesso ou insuficiente pode estar relacionado ao envelhecimento acelerado
Estudo com aproximadamente 500 mil pessoas identificou uma associação entre a duração do sono e sinais de envelhecimento em diferentes órgãos do corpo
A quantidade de horas que uma pessoa dorme pode ter relação com a velocidade do envelhecimento biológico. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa publicada na revista Nature, que analisou informações de aproximadamente 500 mil participantes do Reino Unido.
Os pesquisadores identificaram que tanto dormir poucas horas quanto permanecer na cama por tempo excessivo esteve associado a indicadores de envelhecimento biológico mais acelerado.
A relação encontrada pelos cientistas apresenta um formato semelhante à letra “U”. Isso significa que os sinais mais favoráveis foram observados entre aqueles que mantinham uma duração intermediária de sono, enquanto os extremos — pouco ou muito sono — apareceram relacionados a resultados menos favoráveis.
Segundo a pesquisa, o período associado aos menores níveis de envelhecimento biológico ficou entre seis e sete horas de sono por noite.
Pesquisa avaliou diferentes órgãos
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. A equipe utilizou dados do UK Biobank, uma ampla base de informações de saúde e características biológicas de centenas de milhares de pessoas.
Para realizar a análise, os cientistas desenvolveram diferentes modelos de “relógios biológicos”. Essas ferramentas utilizam informações biológicas e técnicas de aprendizado de máquina para estimar como o organismo de uma pessoa está envelhecendo em comparação com sua idade cronológica.
A equipe criou 23 indicadores voltados a diferentes órgãos e sistemas, permitindo observar possíveis relações entre o sono e o envelhecimento de regiões como cérebro, pulmões, fígado, pele e pâncreas.
Os participantes também responderam sobre a quantidade habitual de sono em um período de 24 horas, incluindo possíveis cochilos durante o dia.
A análise principal considerou pessoas que relataram dormir entre quatro e dez horas diariamente.
Menos de seis horas aparece associado a diversos problemas
Entre os participantes que dormiam menos de seis horas por dia, os pesquisadores encontraram associações com diferentes condições de saúde.
Entre elas estavam episódios de depressão, transtornos de ansiedade, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardíaca isquêmica e alterações do ritmo cardíaco.
Isso não significa que dormir pouco seja, isoladamente, a causa dessas doenças. O estudo identificou associações entre os padrões de sono e os indicadores analisados.
Dormir mais também chamou atenção
O excesso de sono apresentou outro conjunto de associações.
Pessoas que relataram dormir mais de oito horas por noite apresentaram maior relação com problemas como doença pulmonar obstrutiva crônica, asma e algumas doenças do sistema digestivo, incluindo gastrite e refluxo gastroesofágico.
Os pesquisadores destacam que dormir demais e dormir de menos podem estar relacionados a mecanismos biológicos diferentes, mesmo quando os dois padrões aparecem associados a um envelhecimento menos favorável.
Sono e envelhecimento ainda são alvo de pesquisas
Para os cientistas, os resultados reforçam a importância de compreender o sono não apenas como um período de descanso, mas também como um processo relacionado ao funcionamento integrado do cérebro e de outros órgãos.
A pesquisa também pode contribuir para estudos futuros sobre estratégias mais individualizadas de cuidado com o sono.
Apesar dos resultados, os autores ressaltam a necessidade de novas investigações para entender melhor os mecanismos envolvidos e determinar até que ponto alterações na duração do sono podem influenciar diretamente o envelhecimento biológico.
De forma geral, o estudo aponta que não é apenas a falta de sono que merece atenção: o excesso também pode estar relacionado a sinais de envelhecimento mais acelerado.



