Bem-vindo(a). Hoje é
Mais previsões: Tempo Lisboa

Tratamentos experimentais podem ajudar Lito a retardar avanço de doença rara

Tratamentos experimentais podem ajudar Lito a retardar avanço de doença rara
Compartilhe!

Influenciador diagnosticado com Creutzfeldt-Jakob busca acesso a pesquisas que investigam novas formas de combater as doenças causadas por príons

O influenciador Lito Sousa, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, está mobilizando as redes sociais em busca de alternativas experimentais que possam ajudar a desacelerar a evolução da enfermidade.

A doença é considerada rara, não possui cura conhecida e pode provocar uma deterioração rápida de funções importantes do organismo, principalmente aquelas relacionadas ao cérebro, à capacidade cognitiva e aos movimentos.

No domingo (23), Lito publicou um vídeo em inglês fazendo um apelo a instituições de pesquisa e empresas farmacêuticas envolvidas no desenvolvimento de medicamentos para doenças provocadas por príons. A intenção é conseguir que seu caso seja analisado e, eventualmente, incluído em pesquisas que possam oferecer uma possibilidade de tratamento.

Entre as alternativas citadas na mobilização estão dois estudos desenvolvidos nos Estados Unidos. As pesquisas ainda estão em estágios iniciais e não há comprovação de que os tratamentos sejam eficazes contra a doença.

Como a doença age no organismo

A Creutzfeldt-Jakob faz parte de um grupo de enfermidades conhecidas como doenças priônicas. Elas estão relacionadas ao comportamento anormal de uma proteína que normalmente está presente no organismo, inclusive no sistema nervoso.

Em determinadas circunstâncias, essa proteína sofre uma alteração em sua estrutura e passa a apresentar uma configuração anormal, conhecida como príon.

O problema é que a proteína modificada pode influenciar outras proteínas normais a também assumirem a forma incorreta. Esse processo pode se repetir, provocando uma espécie de reação em cadeia.

Com o avanço desse mecanismo, ocorre o acúmulo de proteínas anormais e danos progressivos às células nervosas e ao tecido cerebral.

É justamente nesse processo que os pesquisadores tentam interferir.

O que os tratamentos experimentais procuram fazer

Uma das estratégias estudadas atualmente consiste em diminuir a quantidade da proteína normal disponível no organismo. A lógica é reduzir a chamada “matéria-prima” que pode ser transformada em proteínas anormais.

A expectativa dos pesquisadores é que, ao diminuir essa proteína, seja possível dificultar a continuidade do processo responsável pela progressão da doença.

No entanto, é importante destacar que essas abordagens ainda estão sendo investigadas. Elas não são consideradas uma cura e, caso consigam demonstrar algum benefício, a proposta principal seria tentar retardar ou interromper a progressão da enfermidade, e não recuperar os danos neurológicos que já ocorreram.

Dois estudos estão no radar

Entre as pesquisas que despertam esperança estão:

ION717 – desenvolvido pela farmacêutica americana Ionis Pharmaceuticals, o tratamento é investigado como uma possível forma de interferir no mecanismo relacionado às doenças priônicas.

PRiSM – pesquisa conduzida pelo Broad Institute, instituição de pesquisa associada a Harvard e ao MIT, também busca novas estratégias para combater doenças provocadas por príons.

Os estudos ainda precisam avançar em diferentes etapas de pesquisa para que seja possível determinar se os tratamentos são seguros e realmente capazes de produzir benefícios aos pacientes.

Para Lito, porém, o fator tempo é especialmente importante diante da velocidade com que a Creutzfeldt-Jakob pode evoluir. Por isso, a busca por acesso às pesquisas e por avaliação especializada ganhou caráter de urgência.

A mobilização nas redes sociais tem como objetivo ampliar o alcance do caso e chegar a pesquisadores e instituições que trabalham diretamente com doenças priônicas.

-----------------------------------